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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Às vezes estar sozinha não é solidão...


...é descanso. 
É escolher silêncio em vez de ruído, verdade em vez de migalhas. 
É perceber que a nossa própria companhia, quando é honesta, vale mais do que presenças pela metade. 
Estar sozinha, muitas vezes, é o sítio mais seguro quando o resto do mundo só oferece versões incompletas.
Nunca ser a primeira opção é uma ferida discreta, mas funda. 
Não faz barulho, não dá espetáculo, mas ensina. 
Ensina à força. Ensina que para muita gente somos importantes… até aparecer algo melhor. 
Somos o “logo se vê”, o “quando der”, o plano B que só entra em campo quando o plano A falha. 
E isso desgasta. 
Corrói devagar.
Nas amizades, então, a dor é diferente. 
Porque amizade devia ser abrigo, não sala de espera. 
É seres sempre a que ouve, a que apoia, a que está presente, mas raramente a escolhida. 
Boa para segurar os outros quando caem, menos lembrada quando há escolhas a fazer. 
Estás lá nos dias difíceis, mas ficas de fora nos dias leves. 
E isso deixa marcas.
Durante muito tempo, a gente aceita. 
Arranja desculpas. 
Diz que não é pessoal, que ninguém deve nada a ninguém. 
Vai-se diminuindo para caber no espaço que nos dão. 
Aprende a não pedir para não incomodar. 
A não esperar para não doer. 
A confundir maturidade com silêncio emocional.
Depois vêm os “quases”. 
Quase amor, quase amizade inteira, quase prioridade. 
Histórias que prometem presença,mas entregam ausência. 
Caminhos que parecem ir a algum lado, mas acabam sempre no mesmo ponto: tu a dar mais, tu a esperar mais, tu a entender mais. 
Quases que cansam. 
São promessas sem corpo.
Aceitar tudo isto não me tornou fria. 
Tornou-me lúcida. 
Hoje sei que não é sobre ser o centro do mundo de alguém, é sobre reciprocidade. 
Sobre não precisar de implorar por lugar. 
Se não sou escolha consciente, não fico em fila de espera. 
Prefiro estar sozinha do que mal acompanhada, prefiro a minha paz a ser plano de reserva, prefiro um vazio honesto a uma companhia conveniente.
E se às vezes a solidão pesa? Pesa. 
Mas pesa menos do que insistir onde nunca fui prioridade. 
No fim, fica uma verdade simples e tranquila: posso não ser a primeira opção de ninguém… mas sou a minha. 
E isso, sem ironias, já é amor suficiente para começar. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Recado...


 

De todas as vezes que te ocorrer dizer a uma mulher que está numa relação tóxica porque gosta, deixa-me só lembrar-te de que há inúmeros elementos sobre a sua vida que, provavelmente, desconheces. 
Nenhuma mulher gosta de viver assim. 
Nenhuma! 
Ao invés, pergunta-lhe antes porque não consegue sair. 
Já te perguntaste como estarão a sua cabeça e o seu coração?
Pergunta-lhe se precisa de alguma coisa e não julgues, porque ela não precisa disso. 
Têm-no em casa todos os dias, em todas as horas. 
Não a diminuas, porque alguém já o faz repetidamente. 
Não ponhas em causa aquilo que te disser porque não é nem um terço de tudo o que ela quer falar. 
Sabes, as pessoas aprendem a disfarçar a vergonha de viverem uma vida que não merecem. 
As pessoas aprendem a arranjar desculpas para o indesculpável.
Quando a cabeça deita na almofada, só procura soluções que, parecem sempre inalcançáveis, procura um pouco da paz que lhe tiram ao longo do dia. 
Procura uma luz que teima em não chegar.
E, tu não sabes, o que ela já fez ou deixou de fazer para se libertar, tu não sabes a que portas bateu e quantas se lhe fecharam na cara. 
Tu não lhe conheces a dor porque ela habituou-te ao seu sorriso e a dar-te o melhor que tem, mesmo que a ela lhe tirem tudo.
Não existem mulheres capazes de gostar destas vidas.
No entanto, o que existem são mulheres silenciadas, ameaçadas, demasiado humilhadas e com medo, com muito medo.
Se não tiveres nada de bom para dizer, fica calado... 
Porque ela já ouviu isso tudo, vezes sem conta. 
E, sabes que mais? 
Só depende dela. 
Da coragem que tem que nascer. 
Das circunstâncias que têm que se alinhar... 
E de fé!! 
Fé de que um dia tudo termina, seja lá da forma que for, mas termina. 


quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Insónias...


 São quase três da manhã e estou na varanda fechada, mas aberta para o céu. 
Cansada, mas lúcida. 
Inquieta, mas serena (se é que isto faz sentido). 
A lua espreita serena entre os prédios, espalhando um brilho suave sobre a roupa estendida nos estendais dos vizinhos, que balança devagar, como se dançasse ao som de uma melodia que só eu consigo ouvir. 
As estrelas piscam, tímidas, cada uma como uma promessa de tudo o que ainda quero viver. 
Com tudo o que está por vir.
O silêncio domina, mas não está vazio. 
Chegam-me sons da rua: passos lentos, o farfalhar das folhas, um carro distante. 
Escuto também os murmúrios das casas: risos abafados, portas que se fecham, televisões ligadas, saltos que batem no soalho. 
Tudo se mistura numa sinfonia íntima, um murmúrio de vidas que continuam mesmo enquanto o mundo parece dormir.
E no meio deste cenário, Rui Veloso canta baixinho para mim. 
Volto sempre ao "Anel de rubi".... suave e carregada de memórias, como se a cidade inteira tivesse decidido cantar para mim esta madrugada. 
Cada acorde percorre a varanda, envolve-me, e transforma cada detalhe...a roupa a balançar, o farfalhar das folhas, os sons da rua, numa dança delicada de lembranças e desejos.
Sento-me, deixo-me perder entre o brilho da lua, um gole de vinho e o ritmo da música. Penso em tudo o que ainda quero fazer, nos lugares que quero conhecer, nas histórias que ainda vou viver. 
Cada estrela é um fio de esperança, cada som da rua um lembrete de que a vida está ali, à espera. 
E eu estou aqui, quieta na varanda, entre o céu e a rua, entre o silêncio e a melodia, sonhando acordada. 
"Está um frio de rachar", mas o coração quentinho.
Mesmo cercada pelo sono do mundo, percebo que estou viva. 
Inteira. 
Solta. 
Com o coração a bater no ritmo da madrugada e da minha própria imaginação, embalado pelo "Anel de Rubi" que toca, discreto, só para mim... 
Como se tivesse sido feita para mim.


segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Um dia vou apaixonar-me por ti...


 

Mesmo que ainda não saiba quem és.
E quando isso acontecer, quero que me puxes para dançar na cozinha, entre o cheiro do alho a refogar e a água a ferver no tacho, como se a vida inteira coubesse num rodopio ao som de uma música qualquer. 
Quero que me acordes às três da manhã porque a chuva lá fora insiste em chamar-nos, ou porque a lua está tão brilhante que seria crime não a partilhar debaixo de uma manta na varanda.
Quero que me ligues radiante porque o teu clube acabou de marcar e que eu sinta na tua voz o mesmo entusiasmo com que me olhas. 
Quero que me contes os teus medos, até os mais tolos e escondidos, e que me deixes segurá-los como quem protege uma vela acesa num dia de vento.
Quero que te enrosques no meu colo nos domingos preguiçosos, trocando o travesseiro pelo meu peito e que o compasso do meu coração seja o teu embalo. 
Que rias das minhas manias, que roubes batatas fritas do meu prato como se fosse um ritual nosso, que escondas bilhetes nos bolsos do meu casaco só para me surpreender quando o mundo pesar.
Quero que me olhes nos silêncios, que me guardes nos gestos pequenos e que fiques ali, só a contemplar-me, como quem olha para um segredo demasiado bonito para ser dito em voz alta.
E Acima de tudo, quero que cada instante contigo... seja um abraço, um gole partilhado, um riso fora de hora, seja imenso o suficiente para durar para sempre


quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Aprendi...


 ... a ferros e silêncios, que não se pode esperar dos outros o mesmo que se dá. 
Não é maldade, é diferença. 
As pessoas não sentem igual, não medem igual, não amam igual. 
E eu, que sempre achei que dar era uma espécie de bilhete de volta, percebi que às vezes é só um bilhete de ida.
Já me zanguei comigo por isso. 
Por dar demais, por insistir em ver bondade onde só havia distração. 
Mas depois perdoei-me. 
Porque há quem nasça com o dom de dar, e não há muito a fazer, tirando o remendo do orgulho e o jeito de quem continua mesmo depois de saber.
Continuo a dar.
Mas já não espero.
Aprendi o truque, dar por gosto, não por retorno.
E se um dia parar, não é vingança.
É pausa.
Para que aprendam, ou para que sintam, por um instante, o vazio que fica quando quem dá se cansa.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Há dias...


 

... em que tudo parece ruir, como se o chão que pisamos deixasse de ser firme.
É nesse momento que o coração se enche de dúvidas, que a força se esconde e a vida parece demasiado pesada para ser carregada.
Mas a verdade é que, mesmo no meio do caos, existe um fio de esperança que insiste em não se partir.
A luta do dia a dia não é sinal de fraqueza, é sinal de coragem.
É a prova de que, apesar das quedas, ainda há em ti uma chama que não se deixa apagar.
Porque resistir quando tudo é fácil não tem mérito.
O verdadeiro poder está em continuar quando tudo à volta grita para desistir.
Lembra-te: cada tempestade, por mais feroz que seja, acaba sempre por dar lugar ao sol.
Nada é eterno, nem a dor que agora carregas.
Vai haver um tempo em que olharás para trás e perceberás que até os dias escuros tiveram o seu propósito: ensinaram-te a ser mais forte, mais sensível, mais humana.
O caminho pode estar duro, mas tu não estás sozinha nele.
E, mesmo que hoje te sintas a desmoronar, amanhã será sempre uma nova oportunidade para recomeçar.
E que todos os dias sejam amanhãs.

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Podia dizer-te que te amava.


 

Pois podia. 
E essa é a resposta que tu julgas mais acertada. 
A certeza que todo o mundo julga ter. 
Só que não é essa a minha verdade. 
A verdade é que te amo e não te amo.
Agora ficaste confuso, não foi?
Também eu. 
Todos os dias fico confusa quando penso em ti. 
É verdade que tenho um sentimento especial por ti. 
Um sentimento que carrego no coração, sem que ele me pese. 
Pelo contrário, dá-me tanta leveza que quando penso em ti só me apetece voar. 
Só que ainda não descobri que nome dar a este sentimento.
Não é amor o que sinto. 
Não existe aquela química da paixão. 
Não despertas em mim o desejo carnal, não há aquele desejo de que sejas só meu. 
Não me arrepias a pele quando me tocas. 
Percebes? 
Eu amo-te e não te amo. 
Preciso de encontrar a palavra certa para definir o que sinto.
Gosto que me olhes com esse olhar maroto, que eu adoro. 
Gosto quando te sentes feliz e me beijas o sorriso. 
Quando agarras a minha mão e a beijas com gratidão. 
Quando me abraças e me sinto protegida. 
É que nesses momentos perco a minha razão. 
Procuro por uma explicação e ela não aparece.
Amo-te e não te amo. 
Parece confuso, mas é a realidade.
Há uma vibração que vem de ti e que me alimenta o coração. 
Sem que seja paixão. 
Transformaste o meu mundo. 
Pisaste o meu chão. 
Mostraste-me o outro lado da vida. 
Cultivaste no meu jardim a tentação. 
Eu recebi-te de braços abertos. 
Encostei-me no teu peito. 
Um abraço que me deu conforto. 
Um abraço que me fez criar asas. 
Um beijo que me deu esperança. 
Um olhar que me deu coragem.
Talvez seja isso, o que nos une é a gratidão.
Eu sei que tu estás sempre aí para me dares a mão. 
Eu estou sempre aqui para de confortar com o meu abraço. 
És o meu anjo da guarda. 
Um anjo maroto que por vezes me empurra para a tentação. 
Aquele malandro carinhoso que me mostra o caminho da perdição.
Sabes, eu amo-te.
Amo-te como só os amigos sabem amar. 
É assim que eu te amo. 
E este amor nunca irá acabar. 
O teu lugar no meu coração é eterno. 
Ninguém o conseguirá roubar. 
Por mais amores que passem pelas nossas vidas. 
Tu serás sempre meu e eu serei eternamente tua.
É assim que eu te amo...