sexta-feira, 1 de junho de 2018

Hoje não estou cá




Fui ali sozinha acompanhada de mim. Ausentei-me comigo e sentei-me num canto sossegada. Onde as palavras não apetecem e o silêncio ecoa. Onde a luz se apaga e o escuro se impõe. Hoje não estou cá. Deixei-me aqui e fui lá. Sozinha sem o meu eu. Acompanhada da escuridão e da ausência. 
Da saudade e da impotência. Hoje...
Amanhã eu volto. Ou deixo-me lá.

segunda-feira, 28 de maio de 2018





Às vezes rodeamo-nos de muros para ver quem tem a força necessária para os deitar abaixo. Quem tem a verdadeira vontade de os querer desconstruir. 
É verdade. Mas nem sempre...
Porque às vezes construímos esses mesmos muros para fugir. 
Para que não sejamos encontrados. 
Para que nos deixem sossegados.
Até que nos encontremos a nós próprios...



segunda-feira, 21 de maio de 2018

Hoje tenho borboletas na cabeça.



 Não sei porquê, mas decidiram ausentar-se da minha barriga e vir provocar confusão nas minhas ideias. 
Decidiram vir brincar com elas. Colocá-las à prova. Testar os meus limites. Baralhar as minhas certezas e provocar a minha insanidade.
Hoje tenho borboletas nas ideias. 
Deslocaram-se e ganharam vida própria. 
Tomaram de assalto os meus pensamentos.
Borboletas nas ideias. 
Sentimento estranho...

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Já fui criança...





...já escondi o mundo todo num abraço, já fui verdade em todas as minhas atitudes, já fui apaixonada pela vida. Mas depois cresci e, agora, já sou mulher. E tu percebes que és mulher quando percebes que o mundo é tão cruel que não te cabe nos braços, tu percebes que és mulher quando percebes que as pessoas vão abandonando a verdade em que viviam e quando percebes que a vida consegue ser fria e insensível contigo.
Já fui criança, mas agora já sou mulher. E tu percebes que és mulher quando a vida te obriga a abandonar o ninho que tanto conforto te dá para ires em busca do teu propósito. Tu percebes que és mulher quando, ainda ontem, passeavas pela casa com os saltos da tua mãe e agora só queres os ténis confortáveis que não te magoem os pés na correria dos dias.
Já fui criança, mas agora já sou mulher. E tu percebes que és mulher quando te vês obrigada a casar com a responsabilidade, quando te vês obrigada a suportar pessoas que não gostas e não lhes podes deitar a língua de fora como fazias em criança.
Ainda ontem era criança, mas, hoje, já sou mulher. E, há momentos, em que dava tudo para voltar a ser a miúda de laços no cabelo e calças à boca de sino. A mesma miúda que acordava mais cedo aos fins de semana só para puder ver desenhos animados.
É que ser criança é ter o dom de voar sem asas e, quando és mulher, até com asas tens medo de voar.