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sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Senta-te aqui...


 

Quero-te contar como foi o meu dia hoje.
Quero-te falar daquele livro que eu li e me fez pensar que quero viver uma história assim. 
Quero-te mostrar aquele filme que me fez chorar e que gostava de tê-lo visto contigo.
Senta-te aqui...
Quero-te mostrar todas as particularidades do meu ser, até as mais estranhas...
Senta-te aqui...
Quero-te mostrar as fotos que tirei no outro dia, quando fui ver o mar e jurei baixinho que um dia também estarias ali.
Quero-te falar dos bolos que sei fazer e quero-te dizer como gosto de tomar o meu chá. Quero-te mostrar o batom novo que comprei e que, provavelmente não usarei, mas que combina com o vestido por estrear há anos no armário.
Enquanto eu preparo o jantar e tu abres uma garrafa de vinho e dizemos parvoíces de sorriso rasgado.
Quero-te mostrar o último texto que escrevi com o meu coração pousado em ti...
E quero que ouças aquela música nova daquele cantor que, nem sabes quem é, mas que eu te vou fazer ouvir...
Vou apresentar-te os meus amigos e o que gosto de beber e espero que te sintas em casa.
Vou mostrar-te a minha colecção de sapatilhas e ai de ti que digas que são demasiadas...
Quero que saibas quem sou em cada lugar onde te levar, em cada frase feita, em cada entrelinha.
E diz-me, se vens por um instante ou por uma vida inteira...


quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Na estrada da vida...


 

Encontraram-se, por acaso, numa rua desta vida...
Cruzaram-se num caminho incerto que, provavelmente, não os levaria a lado nenhum.
Sabiam exatamente quais eram os obstáculos e sabiam que se tinha descontrolado tudo aquilo que não previram.
Precisavam decidir a angústia entre o ir e o ficar, precisavam pensar menos e apenas permitirem-se viver...
Ambos sucumbiram ao sentimento.
Ambos se entregaram com a consciência de um futuro improvável...
E ambos não sabem o que fazer com o medo.
Querem muito ser felizes, mas não têm a certeza de isso poder acontecer em conjunto.
Ambos se querem e se sentem...
E ambos estão à procura de razões para que isso não aconteça.
Querem estar juntos, mas não querem sofrer.
Querem deixar-se ir, mas ainda levam os freios no coração...
E demasiadas nuvens na cabeça.
Encontraram-se por acaso e não sabem se a vida lhes permitirá mais encontros.


quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Pessoas...


 

As pessoas mostram -nos sempre qual é o lugar que ocupamos nas suas vidas. Mostram com palavras, mas principalmente com acções. 
A prioridade que te dão fica por conta das vezes que (não) te procuram. 
Nas desculpas esfarrapadas que se perdem no ridículo. 
Nas coisas que fazem nas tuas costas quando acham que ninguém está a ver. 
Nos interesses colocados acima dos valores. 
Nos silêncios que ocultam o que já desvendamos há muito. 
As pessoas dão sinais. 
Sempre. 
E nem sempre são claros em primeira instância ou nem sempre queremos ver. Mas estão lá. 
E, como em tudo na vida, vai doer, mas também vai passar.
Eu já não pergunto o porquê. 
Já não peço justificações. 
Porque nada do que possa ser dito vai atenuar a acção. 
Porque, ainda assim, na maioria das vezes, as pessoas escolhem sempre o caminho da desonestidade. 
Da falta de princípios. 
Então não me permito perder tempo a ser enganada de novo. 
Primeiro assisto. 
Depois tomo notas. 
E depois afasto-me. 
A minha sanidade mental depende disso. 
De tirar de perto de mim tudo o que não me acrescenta. 
De saber que nem toda a gente vale tanto e de que eu não mereço tão pouco.
Nunca conhecemos verdadeiramente as pessoas. 
E, quem dorme connosco na cama, quem come connosco na mesa, são por norma, os primeiros a puxar o tapete. 
E se não tens certezas, mas ainda assim duvidas, sai. 
Em silêncio. 
Porque a dúvida é tudo aquilo que é semeado onde falta verdade. 
E onde há verdade, não há dúvida.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

E se...


 

Finge que nos vimos pela última vez... 
Que dissemos as últimas palavras e que também aquele abraço foi o derradeiro. Fecha os olhos e imagina que nunca mais nos veremos, nem nos sentaremos à mesma mesa. 
Finge que a vida acaba aqui e lembra-te dos lugares que visitamos e os tantos que ficaram sem nós. 
Lembra-te das coisas bonitas que temos guardadas e das vezes que pensamos que o tempo não acabaria nunca. 
Imagina o meu contacto no telemóvel sem a presença. 
Imagina as lembranças sem o corpo. 
Pensa nas vezes em que não te perguntarei se estás bem ou nas mensagens que não chegarão para saber de ti.
Pensa nos risos que partilhamos e nas coisas parvas que não se repetirão... 
Nas confissões da madrugada entre copos, nos sonhos pousados em cima dos medos que, tantas vezes, deixamos que levassem a melhor.
Finge que (já) não estou aqui e que a minha voz se cala, e diz -me o que ficou por dizer... 
Conta -me o que faltou fazer. 
Finge que não te vou ouvir e diz-me o que queres dizer como se estivesses sozinho(a) no mundo... 
Finge que nos vemos pela última vez e conta-me tudo como se os dias se fossem tornar eternos e nós imortais. 
E eu... 
Eu finjo que não parti e que amanhã teremos mais uma oportunidade de transformar o último dia.


quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Parem de romantizar...


 Se parássemos de romantizar e de inventar versões de como gostaríamos que fossem as pessoas, pouparíamos grande parte das desilusões.
É preciso deixar de procurar justificações para comportamentos que não são justificáveis.
É absolutamente necessário, não alimentar vazios.
Se, de cada vez, que sentirmos a falta ou até saudade de alguém, nos lembrarmos de como a pessoa nos fez sentir a dado momento ou onde ela estava quando precisamos, talvez conseguíssemos tirá-la definitivamente das nossas vidas.
Há pessoas que não são para nós.
Há coisas que não são para acontecer.
Porque, na verdade, tudo o que sentimos falta é de tudo o que a pessoa não foi, tudo o que a pessoa não foi capaz de fazer.
E, se de cada vez, que a mão tremer e o coração apertar com vontade de mandar aquela mensagem, nos lembrarmos de quantas vezes sorrimos na presença dessa pessoa e de quantas vezes ficamos tristes, ficaríamos quietos.
Alguém que te faz sentir coisas menos bonitas, que te deixa frustrada, que não dá a menor importância ao que tu sentes, que não te ouve...
É isso que determina quem é ela é...
E não quem gostarias que ela fosse. Gasta o teu tempo com alguém real que, genuinamente, te aprecia.
Gasta a tua energia com alguém que não tenha medo de ser vulnerável.
Não inventes versões irreais de gente que só existe na tua cabeça.
Vai poupar-te as dores e os desamores.

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

E se o amor aparecer...


 

E se for para acontecer, não quero nada de tudo aquilo o que já foi escrito. 
Pelo contrário, quero tudo aquilo que, de tão bom que é, as palavras não bastem. Quero a intensidade daqueles amores breves de Verão, mas capazes de durar a vida inteira. 
Quero alguém que me desperte a mente e me desafie todos os dias. 
Que (me) veja para lá do óbvio e que me tire os pés do chão. 
Dispenso as rotinas e as coisas sempre programadas. 
Gosto da imprevisibilidade de alguém que chega só para te fazer sentir.
Quero entregar o meu coração a alguém que não tenha medo, que tenha consciência do quão fugaz é a vida e a queira de facto viver. 
Sem pensar muito. 
Sentir. 
Ir. 
Fazer acontecer.
Não quero quem me diga as mesmas coisas dia após dia e que me leve aos mesmos lugares de sempre com as pessoas de sempre. 
Quero tudo ao contrário. 
Novidade em cada dia como se tudo cheirasse a primeira vez. 
Quero sentir o friozinho no estômago quando sei que está para chegar e quero sentir o aperto no peito, quando for a hora de ir. 
De que serve o sentir sem esses extremos opostos?
Quero alguém que me faça ser tudo aquilo que sou e mais aquilo que quero ser e que, no final, sorria agradecido pela sorte que lhe calhou. 
Quero a lotaria do amor. 
Aquela que sai uma vez na vida e te faz ter um encontro de almas.
Quero alguém que tenha a alma colorida e que pinte a vida com essas cores... Alguém que (me) descubra nas coisas que eu não digo e que me faça ser capaz de acreditar em tudo. 
Quero um amor de Shakespeare com os poemas de Fernando Pessoa.


segunda-feira, 25 de julho de 2022

Desculpa meu amor;


 

Desculpa por todas as vezes que fingi não te ouvir.
 Desculpa por todas as vezes em que me coloquei em situações que, sabia de antemão, que te magoariam.
 Desculpa não te ter tratado como merecias e desculpa ter-te levado ao ponto de ruptura.
 Desculpa ter-te levado para todo o lado e no final ter-me esquecido de te trazer de volta.
 Desculpa-me.
 Desculpa-me ter, tantas vezes, feito dos outros prioridade quando tu me necessitavas mais do que todos.
Desculpa ter ignorado quando me dizias que o cansaço era muito e desculpa ter arranjado desculpas para tudo o que me fazias sentir.
Desculpa ter-te feito sentir que não eras suficiente.
Sabes, tantas vezes o ouvimos ao longo da vida que, às páginas tantas, começas a acreditar nisso.
Desculpa ter-te confundido quando me deste sinais claros.
E desculpa ter feito de ti um acessório para não me deixar morrer. Desculpa todos os gritos que te silenciei e desculpa ter calado todas as tuas vontades.
O medo é fodido, sabes?
Desculpa por todas as vezes em que te quis pedir desculpa e continuei a perpetuar comportamentos por facilidade, por não querer ver.
Mil vezes desculpa...
Porque, no final do dia, és o único a quem devo satisfações e o único que fica, mesmo depois de te tratar mal.
 

 

Nota mental: para o meu coração. O único que me mantém viva e que, tantas vezes, quase matei .