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terça-feira, 5 de maio de 2026

Há amores que não acabam...


 ... apenas mudam de lugar dentro de nós. 
Deixam de viver nos risos, nas partilhas, nos planos ditos em voz baixa para que ninguém o pudesse apagar... e passam a viver naquele canto silencioso onde guardamos o que foi verdadeiro.
Soltar alguém que gostamos não é falta de amor. 
É, muitas vezes, a forma mais dura de o honrar. 
É perceber que o tempo não espera por indecisões, que a vida não se compadece com “talvez um dia”, e que há momentos em que continuar a segurar é, afinal, impedir ambos de respirar. 
E falta o ar. 
Demasiadas vezes.
Ficam sempre coisas por fazer. 
Conversas que nunca chegaram a acontecer. 
Abraços adiados que agora já não encontram lugar. 
Ficam frases meio ditas, promessas suspensas no ar, e aquele peso estranho de sabermos que houve sentimentos grandes demais para caber no tempo que tiveram.
Mas é curioso: aquilo que chamávamos de carência, quando visto à distância, revela-se espaço. 
Espaço para crescer, para voltar a nós próprios, para transformar ausência em possibilidade. 
Porque há vazios que não vêm para nos destruir, vêm para nos ensinar a reconstruir.
E depois há os silêncios. 
Esses que dizem mais do que qualquer discussão. 
Silêncios carregados de tudo o que não soubemos explicar, de tudo o que preferimos engolir, de tudo o que doeu admitir. 
Silêncios que, no fundo, são despedidas vestidas de calma.
Soltar alguém que se ama é aceitar que nem todas as histórias foram feitas para durar, algumas foram feitas apenas para nos transformar.
E, no fim, quando a saudade já não arde, mas apenas aquece, percebemos uma coisa simples e bonita:
há pessoas que não ficam na nossa vida… 
mas ficam para sempre na nossa essência.