Queria-te escrever uma carta de despedida, mas não sei despedir-me de mim.
E podem até parecer coisas diferentes, mas não são.
Cruzámos as pernas, os dedos, os sonhos.
Já não sabia onde acabava eu e começavas tu.
E é por isso que sei que os bocados meus que me faltam, hão-de estar no bolso de um casaco teu, esquecidos entre as facturas e a moeda de plástico do carrinho do supermercado.
E é por isso que há partes de mim que sei que são tuas, que foste plantando e semeando cá dentro.
É um jardim bastante deprimente que te presta homenagem, tenho tentado não passar lá tempo demais.
Queria escrever-te uma carta de despedida, mas não sei despedir-me de mim, por isso escrevi só:
Cuida de ti.
Na esperança que cuidasses de mim também, não da minha presença, mas da minha saudade.
CD
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