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sexta-feira, 14 de março de 2025

Sobre ela...


 Nunca ninguém vai saber de tudo! 
Ensinara-lhe a vida a guardar dentro de si a verdade dos seus dias.
Avessa a vidas e a pessoas perfeitas. 
Ela é a personificação de regras que foram feitas para serem quebradas e de que a vida é feita de solavancos.
Aprendeu a rir de si e com os outros. 
Aprendeu a ser para os outros. 
Mesmo quando não está lá ninguém. 
E, tantas vezes, lhe faltaram. 
Ela, sabe de onde vem e para onde quer ir. 
Eterna sonhadora e desesperada resiliente.
Pinta os lábios que lhe disfarça sorriso, às vezes, parco. 
Veste-se de cor para se lembrar que nem todos os dias são cinzentos. Apaixonada por pessoas bonitas... por dentro. 
Apaixonada por gente de bem e que pratica o bem.
Sobre ela...?
Ninguém sabe o que lhe vai na alma. 
Aprendeu a calar, porque de todas as vezes em que pôs o coração cá fora, sugaram-na. 
Aprendeu a gostar de silêncios e a ser com ela. 
Fala sozinha tudo aquilo que gostava de poder dizer em alta voz. 
Não é certo nem errado, é a sua forma de se proteger. 
Não precisa da aprovação dos outros para viver. 
Não quer saber. 
Ela não é os outros... 
E os outros, não sabem e nunca saberão tudo sobre ela.

terça-feira, 11 de março de 2025

Se eu ainda sonhasse seria mais ou menos assim...


 

Gosto do cheiro que fica na pele depois do toque. 
Gosto dos resquícios de perfume que pairam no ar. 
Gosto daquele toque subtil, onde o meu nariz se cruza com o teu pescoço numa dança de desejos, onde ambos cheiramos a saudade. 
Gosto do "fica mais um pouco" misturado com o "ainda não foste e já te sinto a falta." 
E gosto ainda mais do "tenho de te ver!"
Gosto de contar os dias para estarmos juntos e gosto de te sonhar no meu dia a dia. 
Gosto das tuas mãos que me agarram pela cintura e gosto de ouvir a tua respiração no meu ouvido. 
Gosto de fazer planos acordada como se fosse viver dos sonhos que alimento e gosto de te observar em silêncio, sem que tu imagines tudo o que me passa pela cabeça. 
Gosto de me aninhar no teu peito, enquanto sinto os teus dedos vaguear por entre os meus fios de cabelo.
Gosto do jogo de luzes e sombras que te estampam o rosto pela noite dentro e gosto de imaginar de que cores são feitas as tuas vontades. 
Gosto de te ouvir falar de como foi duro o dia e de como estavas ansioso por voltar ao abraço-casa. 
Gosto desse cheiro a vida, desse pulsar à flor da pele... 
Sabes a conforto, cheiras a paixão... cheiras a problemas, daqueles que a gente deixa para resolver depois...

quarta-feira, 5 de março de 2025

Amores impossiveis.


 

Os amores impossíveis carregam uma beleza única, quase poética, que parecem existir entre o sonho e a realidade
Eles são como as estrelas, distantes e intocáveis, mas sempre brilhando, bem lá no fundo do peito.
Esses amores ensinam-nos o que é sentir com intensidade, mesmo quando a lógica nos pede que recuemos, mesmo que a vida nos apresente motivos para os deixar ir…
Eles ficam ali, como um segredo silencioso, pulsando a cada lembrança, em cada “e se” que nunca se concretizou.
Há algo de eterno nos amores impossíveis.
Não porque durem, mas porque nunca terminam de verdade.
São feitos de momentos não vividos, de palavras que ficaram presas na garganta e de caminhos que nunca se cruzaram.
E, mesmo com toda a dor que nos trazem, transformam-nos.
Porque no fundo os amores impossíveis não são sobre quem não ficou… 
mas sobre o que descobrimos sobre nós mesmos ao amar tanto, tão profundamente sem nunca alcançar o fim…

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Frente a frente com quem fui...


 

Hoje, sentei-me à mesa de um café qualquer, esperando por alguém que já fui.
Ela chegou dez minutos atrasada…como sempre. 
Enquanto eu, pontual, observava o tempo passar com uma estranha mistura de nostalgia e melancolia.
Quando ela entrou, vi nos seus olhos um brilho que já não reconheço em mim. Ela ainda sonha alto, ainda acredita que algumas pessoas ficarão para sempre. Vive com pressa, mas nem sabe exatamente para onde quer ir. 
Neste momento quis avisá-la de tantas coisas, mas, ao mesmo tempo, não quis arrancar-lhe a inocência que um dia me fez continuar.
Ela sentou-se à minha frente, curiosa, desconfiada e sorriu com aquele jeito de quem acha que tem tudo sob controle.
Olhei-a com tristeza e quis dizer-lhe: 
"Ainda não sabes, mas vais chorar por quem nem se importa contigo. Vais  perder-te em noites solitárias, tentando entender onde erraste. Vais duvidar da tua própria força, vais  sentir-te pequena e invisível."
Mas em vez disso, segurei-a pelas mãos e sussurrei: 
"Vai doer, mas sobreviverás. Irás aprender que não precisamos implorar por amor. Vais descobrir que algumas partidas são livramentos, que a solidão nem sempre é um castigo, mas uma oportunidade para te encontrares. Entenderás que ser forte não significa não chorar, e que ser feliz não significa não ter cicatrizes."
Ela  olhou-me como se quisesse perguntar algo, mas não conseguiu. 
Talvez tenha sentido no meu olhar a saudade do que fomos e a dor do que nos tornamos.
O tempo passou rápido, e ela, ainda apressada, disse que precisava ir. 
Como sempre, estava correndo atrás de algo que nem sabia o que era. 
Eu observei-a a afastar-se, e, por um instante, quis chamá-la de volta. 
Quis dizer-lhe que um dia, ela vai chegar na hora certa, no momento certo, na vida certa. 
Mas deixei que ela fosse, porque aprendi que cada um tem seu próprio tempo para entender a vida.
Ela foi embora. Mas parte dela ficou em mim.
E, enquanto o café esfriava, percebi que talvez eu também não tenha chegado no horário certo.
Mas cheguei no meu próprio tempo…

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Indecisões...


                                               "Quando é que combinamos alguma coisa?"

"Queres ir beber um cafezinho?"
"Vamos sair?"

As solicitações repetem-se. De diferentes caras. De diferentes números no visor do telefone. De diferentes nomes. Alguns convites, vá. Não sejamos convencidas, que isso de poder mostrar que se tem uma forte auto-estima, sem parecer mal, é exclusivo do sexo masculino (leia-se com um forte tom irónico). Adiante. São, pelo menos, convites e solicitações suficientes para poder escolher! ......se tivesse vontade, claro. Mas há uma dormência, um desinteresse e um desencanto em mim que me prende. Que me enfastia e me faz querer fugir. Não há, obviamente, nada de errado com os cavalheiros que pedem um pouco da minha atenção. Absolutamente nada de errado. O problema reside em mim. Tenho nos olhos um filtro que tudo (quase tudo...) me faz parecer banal. Tenho no corpo marcas de um fogo improvável de superar. Não há nada de errado com os outros. Sou eu. E eu, sei da minha maleita mas não sei o que fazer comigo. 
O tempo, talvez. 
Talvez esse saiba. 
Talvez esse ajude....

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Quem me conhece sabe...


 

...que não sou de intrigas, gosto de estar no meu canto e não me meto com ninguém.

Quem me conhece sabe que me dou por inteira a quem merecer a minha amizade.

Quem me conhece sabe que sou honesta, verdadeira, sincera.

Quem me conhece sabe que divido o que tenho com quem precisa, sabe que não posso ver ninguém com fome, sabe que já chorei por não poder ajudar mais.

Quem me conhece sabe que nunca trairia um amigo(a), nem por toda a fortuna do mundo.

Quem me conhece sabe que não gosto de promessas que não podem cumprir, por isso nunca prometo nada, mas normalmente cumpro.

Quem me conhece sabe que sou lamechas, que qualquer filme rasca me faz chorar.

Quem me conhece sabe que adoro brincar, que sou meio palhaça e que isso me faz feliz.

Quem me conhece sabe que não perdoo uma traição.

Quem me conhece sabe que gosto de conversar, que falo até demais, mas que também posso ficar horas em silêncio, sem que isso queira dizer que não me importo.

Quem me conhece sabe que eu me importo.

Quem me conhece sabe que já não tenho pais e que choro todos os dias por eles.

Quem me conhece sabe que sou frontal, que digo o que penso mesmo que isso me traga dissabores.

Quem me conhece descobre-me pelos olhos.

Quem me conhece sabe que detesto carne e adoro peixe.

Quem me conhece sabe que gosto do vermelho, que o verde me irrita e o azul dá-me náuseas.

Quem me conhece sabe disto tudo.

Tu…

Tu não me conheces!...

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

COISAS MINHAS...


 

Se me perguntarem por ti vou dizer-lhes que estás bem, vou mentir-lhes e dizer-lhes que já não te sinto a falta.
Vou pôr o meu melhor sorriso e fingir que passo bem sem ti.
Porque passo.
Mas não quero.
E se me perguntarem quando foi a última vez que falei contigo, vou dizer-lhes que foi ontem, pois a última vez permanece intacta em mim como se tivesse acabado de acontecer.
E se o meu coração me atraiçoar no meio das perguntas, vou dizer-lhes que a saudade tem destas coisas que tolhem, mas não matam.
E vou convence-los de que é melhor assim, tu aí e eu aqui, vou acreditar nisso com tanta força que, no final estarei convencida disso também.
E, agora que ninguém nos ouve, tenho saudades tuas…
Como sempre…
Apenas deixei de to dizer.
Mas sinto.
E gosto de ti.
Como sempre…