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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014




Acho que já vos tinha falado que frequento um gym aqui na “aldeia”. Mas ainda não vos contei que tenho um mentor a tender para o desgraçado-do-homem-que-tem-um-sorriso-capaz-de-nos-fazer-dizer-sim-a-tudo. À parte de ser familiar da personagem de outras histórias, e da qual já me habituei à sua presença (canalha!), o certo é que tem um sentido de humor parvamente divertido e, verdade seja dita, tem jeito para aquilo.
Na última aula lá fui conversar com ele para tirar uma dúvida acerca dos exercícios. Ainda eu não tinha chegada à questão fulcral e já ele me estava a fazer o diagnóstico. Vendo-lhe alegria nos olhos (de quem gosta realmente do que faz, leia-se) deixei-o continuar. Ou era a minha omoplata, ou o meu peito, ou a minha postura... o que ele estava para ali a dizer concretamente, não sei. (Perdoem-me, mas quem vos fala é alguém comprometida com números, não com bíceps e tríceps.) Porém, parecia ter razão. Arriscando a levar um safanão, levou a coisa a um nível físico e, quando dei por mim, todo ele era mãos. Mão na cintura, mão na omoplata, mão nos ombros, tudo meramente profissional, daí a minha compreensão. Terminada a lição anatómica do dia, e exultando de alegria por ver a classe a assistir a tudo, voltei ao modo atleta-meramente-interessada-no-desporto e fui à minha vidinha.
Mas cá entre nós, tivesse ele me diagnosticado alguma doença terminal e eu continuaria a sorrir e a dizer que sim.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014



Fui encontrar-te apenas por descargo de consciência. Por respeitar o que fomos um dia e saber que ainda poucos te conheciam como eu. Fui por não conseguir dizer não, mesmo sabendo que não devia.
Entrei no carro e ao olhar-te pela primeira vez, em segundos, na minha cabeça,  passaram os anos em que não nos vimos.
«Abraça-me.»
Abracei-te, e por minutos lembrei-me  dos anos em que existíamos juntos.
Não me demorei muito. Falamos do essencial, do que se passava, do que te faltava, do quanto te iria faltar. Da saudade que nasce e não morre. Da incapacidade de não deixar partir. Falamos de ti.
«É melhor ir-me embora. Espero que fiques bem»
E abrindo a porta, de costas voltadas, ouço o meu nome. Como é estranho ouvir-te chamar o meu nome.
«Sim?»
«Estás tão bonita.»
Sabes que não sou de meias palavras.
«Devias tê-lo dito quando eu ainda acreditava. Mesmo que até fosse mentira. (suspiro) Agora é tarde demais.»
Nem tão pouco te olhei, quis que te custasse menos. Eu sei, dói perder a razão e outras coisas mais.
Continuei, saindo para a minha vida, deixando-te ficar na tua.
Não tenhas saudades minhas.
Jamais poderia ser de outra maneira...

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014


Nunca imaginei que te podia encontrar assim...
Um rosto no meio de tantos...
Mas, um dia, uma troca de cumprimentos banais, uma resposta dada por educação, fez nascer algo belo.
Pouco a pouco começaste a fazer parte do meu quotidiano, onde uma simples frase iluminava o meu dia, ou a falta dela  apertava-me o coração.
As conversas multiplicavam-se à velocidade da luz...
A ansiedade era enorme.
Os corpos desejavam-se.
Os sentimentos adensavam-se.
O amor crescia...
As palavras  deixaram de ter importância, porque o pensamento ultrapassa-as, e as nossas almas tocavam-se em silêncio.
Acredita, mesmo quando estás longe... sinto-te tão perto!


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014


Ele não sabe mais nada sobre mim. Não sabe que o aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu, que os meus olhos estão menos melancólicos, mas que tenho estado quieta, calada, concentrada numa vida prática e sem aquela necessidade toda de ser amada. Ele não sabe quantos livros pude ler em algumas semanas. Não sabe quais são meus novos assuntos nem os filmes favoritos. Ele não sabe que a cada dia eu penso menos nele, mas que conservo alguma curiosidade em saber se o seu coração está mais tranquilo, se seu cabelo mudou, se o seu olhar continua inquieto. Ele nem imagina quantas coisas pude planear durante todos estes dias e como me isolei pra tentar organizar todos os meus projetos. Ele não sabe quantos amigos desapareceram desde que me desvencilhei da minha vida social intensa. Que tenho sentido mais sono e ainda assim, dormido pouco. Que tenho escrito mais no meu caderno de sonhos. Que aqui faz tanto frio, ele não sabe por mim. Ele não sabe que eu nunca mais me atentei para saudade. Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável. (...) Hoje foi um dia em que percebi quanta coisa em mim mudou e ele não sabe sobre nada disso. Ele não sabe que tenho estado tão só sem a devastadora sensação de me sentir sozinha. Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós, eu tive que me tornar minha melhor companhia: ele nem imagina que foi ele quem me ensinou esta alegria.
{Marla Queiróz}


Às vezes tenho vontade de dizer tudo o que me vai na cabeça, sem pensar nas consequências, como se isso não me preocupasse.
Apetece-me falar… falar apenas por falar!
Tenho vontade de deixar para trás tudo o que já me aconteceu, e não pensar muito no futuro, mas sei que é impossível esquecer tudo o que passei. Tantas vezes retive as lágrimas para não as deixar cair em frente de quem não as merecia ver. Por vezes tenho vontade de acabar com tudo, perco as forças e apenas desejo desaparecer. Incomoda-me gente egoísta, fútil e ignorante. E quando a raiva e a revolta tomam conta de mim, resta-me procurar um refúgio e chorar… chorar até formar um enorme lago… e deixar-me morrer nas minhas lágrimas.
Pensando bem, nem sei porque ainda escrevo tudo isto…
Talvez para me sentir melhor ao desabafar com um “amigo”.
Mas… na verdade nem sei se ainda está alguém aí desse lado…


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014