Talvez nunca
mais se ame da mesma forma. Talvez a loucura seja diferente. O frio na barriga
também. Talvez seja um amor menos ingénuo, menos louco. Talvez seja um amor
menos. Menos, porque talvez grande parte da capacidade de amar tenha ficado
presa no nós que já não existe.
Ou talvez
seja um amor mais. Um amor ainda mais louco. Menos ingénuo na mesma, porque os
erros do passado são alavancas para as maiores aprendizagens, mas mais louco,
mais intenso, mais asfixiante, mais ardente. Talvez seja mais, muito mais.
Talvez a idade ajude e o tempo seja uma ferramenta a favor.
Não sei como
se ama depois de amar.
Talvez nunca
se ame da mesma forma. Talvez se chegue com a factura dos amores passados.
Talvez o medo de perder, o medo de sofrer, nos faça viver num constante
sobressalto e o amor em vez de vivência seja uma mera sobrevivência.
Ou talvez
seja um amor mais adulto, mais consciente, um amor que sabe que o amanhã é
incerto, um amor que se conjuga no presente do indicativo, um amor que inclui o
eu, o tu e o nós, não excluindo nunca nenhuma das partes.
Não sei como
se ama depois de amar. Talvez seja um amor menos. Talvez seja um amor mais. Mas
se vier, que seja, pelo menos, um amor verdadeiro.





