sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
Sobre o Valentim de que santo nada tinha e solteirices...
Ela pinta as unhas de vermelho quando quer. Mas também sabe deixar as unhas
a lascar quando lhe dá vontade. Esbanja esquisitices ao falar das suas
séries favoritas e cala-se quando o assunto é sobre o porquê dela não ter
namorado.
Ela usa vestidos de crochet, e gosta daqueles clichês de tomar chá quando o
tempo está frio. Bebe cerveja em canecas como os homens pré-históricos quando
lhe apetece. Ela ri de palavrões e de piadas de humor negro. Mas, também,
derrete-se mais do que manteiga numa frigideira quando recebe um sms
romântico de madrugada.
Mas por que não namora?
Ela acorda, escova os dentes perfeitos, sinal de quem já usou aparelho,
toma chocolate quente, arruma-se e vai trabalhar. Ela é linda e
desconversa. Fala do tempo, do futebol, da novela, da mãe e da crise em
Portugal.
Mas porque é que não namora?
Quando o assunto é sexo, ela fala menos do que escuta. Gosta de umas
bandas que ninguém conhece e chora com as histórias do Nicholas Sparks.
É misteriosa também. Corta o cabelo de acordo com as fases da lua e se lhe
apetecer come massa com feijão. Não é esquisita. De Verão por vezes, liga
o ar condicionado porque gosta de dormir a sentir o frio e acaba por
adormecer como um esquimó com meias e edredon. Uma linda esquimó por sinal.
Costuma atender as chamadas somente após a quarta tentativa de
ligação. Não, ela não as ignora. Ela perde é tempo a procurar o
telemóvel na bolsa, debaixo da cama ou na pia da casa de banho. Mas, de
vez em quando, ela sabe ignorar também. Diz que não sabe dançar. Recusa os
convites, mas adora ser convidada.
Mas porque é que ninguém conseguiu ultrapassar esse muro de Berlim que ela
ergueu no seu peito? Ela desconversa. Ri pelo canto da boca e pergunta-me se eu
fumo tentando desviar o assunto para longe. Eu insisto. Falo coisas fora de
moda atiro ao ar o facto de achá-la perfeita demais para não andar
com algum sortudo lado-a-lado. Ela empina o nariz fino, lança-me os
seus olhos escuros brilhantes e ajeita-se sobre a mesa. Muda o tom e
diz-me:
“Porque eu não quero”.
“Porque eu não quero”.
E eu rio, sem graça, da minha maldita ideia de achar que todo mundo quer
ter alguém para dividir os brownies.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
Divagações...
Há uma falsa ideia de que o céu é
longe... que o pecado é mau.... e que os doces engordam.... no fundo, certos
ditos populares acabam por condicionar a natureza humana, deformando-a,
dificultando a obtenção da felicidade, até porque todos sabemos que os doces
só engordam se forem muitos.... o céu somos nós que o construímos pelo mérito
das nossas acções
e o pecado....
bom…
quem disse que era pecado?
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
«Um dia, vais rir-te disto tudo.»
Cresci a
ouvir que, um dia, me ia rir daquilo que agora me tira o sono e me arranca as
lágrimas. Cresci a ouvir que o tempo cura tudo e só precisamos de saber
esperar. Cresci a ouvir que as pessoas partem, porque tem de ser, é a ordem
natural das coisas. Cresci a ouvir que, para uma grande janela se abrir, uma
grande porta terá de se fechar. Cresci a ouvir que a vida não é fácil.
E eu cresço
e canso-me de esperar. Porque o tempo, em que era suposto rir-me do que agora
me entristece, não chega. E eu continuo a chorar pelas partidas da vida numa
busca exaustiva do momento em que trocarei as lágrimas pelo riso. Continuo a
olhar para as portas fechadas à espera que se abram as grandes janelas, com
vista para as mais belas paisagens. Começo a acreditar que é tudo uma utopia.
E
quanto mais acredito nisso, mais pessoas me dizem:
«Um dia, vais rir-te disto
tudo».
Falta muito?
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
Coisas que leio por aí...
O problema de estarmos muito tempo sozinhos é que acabamos por nos esquecer como é voltar a estar com alguém.
O problema de estarmos muito tempo sem nos apaixonarmos é que corremos o
risco de já não sabermos como é que isso se faz. Ou como se sente. Ou
se o que se sente é suficiente.
Acreditamos – ou fizeram-nos
acreditar – que o ser humano assenta, essencialmente, a sua existência
na procura de um par. Na procura de alguém que, à nossa semelhança,
também nos procura. Acreditamos – ou
queremos muito acreditar – que só atingimos a plenitude da felicidade
quando encontramos a nossa outra metade. Mesmo que já sejamos inteiros.
Acreditamos que só assim ficamos completos.
O problema é que isto não acontece quando queremos; quando desejamos;
quando [des]esperamos. O problema é que neste intervalo; neste hiato de
tempo entre um coração cheio de vida e um vazio cheio de nada, o
problema é que temos de viver. E, tantas vezes, sobreviver.
E o problema é que conseguimos.
Somos exímios em reinventar-mo-nos. Em ajustar-mo-nos. Voltamos a respirar sozinhos, voltamos a sorrir sem ser para alguém e voltamos a pormo-nos em primeiro lugar. E conseguimos. Acabamos sempre por conseguir.
O problema é que mesmo que passemos a maior parte dos nossos dias a desejar – muitas vezes em surdina – que nos apareça alguém que ocupe o lugar vazio na mesa ou que nos aqueça o outro lado da cama – que teima em manter-se tão fria – o problema é que começamos a gostar, verdadeiramente, da única companhia que nunca nos abandona. A nossa.
O amor teima em chegar devagarinho.
Vem, normalmente, acompanhado de um sussurro, de um sorriso fora de horas ou de um olhar não previsto.
E antes de ser amor? É o quê?
É desejo?
É paixão?
É [só] entusiasmo?
É pura tesão?
Há quem lhe resista, há quem entre em negação, há quem se entregue e também há quem não.
Antes de ser amor, pode ser tudo.
Pode ser o que quisermos.
Pode assumir tantas formas.
Tantos sabores.
Pode ser leve.
Pode virar dor.
O problema de estarmos muito tempo sem amar é que tivemos de passar tempo demais a aprender a não gostar. A não querer. A não desejar. A não ter.
O problema é que voltar a amar dá medo.
Medo de falhar,
de entregar.
Medo de voltar a chorar.
Medo de gostar.
O problema é termos de deixar de amar.
O problema é se isto não é amor.
Porque no dia em que for amor, deixa de ser um problema...
E o problema é que conseguimos.
Somos exímios em reinventar-mo-nos. Em ajustar-mo-nos. Voltamos a respirar sozinhos, voltamos a sorrir sem ser para alguém e voltamos a pormo-nos em primeiro lugar. E conseguimos. Acabamos sempre por conseguir.
O problema é que mesmo que passemos a maior parte dos nossos dias a desejar – muitas vezes em surdina – que nos apareça alguém que ocupe o lugar vazio na mesa ou que nos aqueça o outro lado da cama – que teima em manter-se tão fria – o problema é que começamos a gostar, verdadeiramente, da única companhia que nunca nos abandona. A nossa.
O amor teima em chegar devagarinho.
Vem, normalmente, acompanhado de um sussurro, de um sorriso fora de horas ou de um olhar não previsto.
E antes de ser amor? É o quê?
É desejo?
É paixão?
É [só] entusiasmo?
É pura tesão?
Há quem lhe resista, há quem entre em negação, há quem se entregue e também há quem não.
Antes de ser amor, pode ser tudo.
Pode ser o que quisermos.
Pode assumir tantas formas.
Tantos sabores.
Pode ser leve.
Pode virar dor.
O problema de estarmos muito tempo sem amar é que tivemos de passar tempo demais a aprender a não gostar. A não querer. A não desejar. A não ter.
O problema é que voltar a amar dá medo.
Medo de falhar,
de entregar.
Medo de voltar a chorar.
Medo de gostar.
O problema é termos de deixar de amar.
O problema é se isto não é amor.
Porque no dia em que for amor, deixa de ser um problema...
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
Coisas minhas...
Sei que não vais ler estas palavras,
mas este peso no peito de tanta coisa que gostaria de te ter dito, não me deixa
tranquila. Posso dizer que esta dor de te ter tão perto de mim e não poder
partilhar tudo o que gostaria de partilhar, sufoca-me. Especialmente estes
últimos anos que, apesar de lado a lado, a barreira da doença nos separou. Mas
sabes, não tem importância, tento recuperar
nestas palavras que me saem do coração. Por mim e por ti recordo pequenas
coisas que guardarei na minha memória e é assim que mato as saudades.
Tenho a certeza Mãe, que nesses teus momentos de
silêncio, em que me olhavas, como se visses o fundo de mim, que as tuas mãos
seguravam as minhas de uma forma desajeitada, sei que me querias transmitir
tranquilidade e força. Mas sabes Mãe, eu é que tenho que te agradecer por me
teres transmitido tudo aquilo que fez de mim o que sou hoje e pela força que
tenho para lutar todos os dias.
Desculpa Mãe se te decepcionei, como filha, como
pessoa. Mas dei-te o melhor que consegui. Para tristeza minha, não me deste
tempo para te compensar, para ter a tua ajuda para ser melhor.
Um beijo com todo amor e carinho do Mundo da tua filha…
Um beijo com todo amor e carinho do Mundo da tua filha…
hoje o dia é teu.
Sempre será...
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