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terça-feira, 3 de novembro de 2020

Por vezes...



 
 Carregamos nas costas o peso de uma bagagem emocional que nos transforma, que nos tolda, que nos faz vilões de histórias que poderiam ser perfeitas. 
Os filhos que fomos, os pais que tivemos, os abusos "consentidos", os limites que não soubemos impor. 
Fechamos tudo em gavetas, guardamos tudo debaixo do tapete... 
E quando levantam uma pontinha, vem tudo em avalanche. 
O medo do novo, o medo de voltar a acontecer de novo, o medo de quem vem sem sabermos ao que vem. 
E fazemos o que a maioria das pessoas faz... 
Só ouvimos o mau, porque não fomos ensinados a filtrar o bom. 
E transferimos para os outros as facturas que outros não pagaram. 
Fechamo-nos e todas as decisões são papel químico de outras que tivemos antes. 
Porque continuamos feridos. 
Porque a insegurança de voltarmos às mesmas sensações que nos destruíram, nos tolhem. 
Mas não podemos viver em comparações eternas e precisamos validar que não há pessoas iguais...e ainda bem.
E se te fazem sorrir, retribui. 
E se te tratam bem, retribui. 
Se tens saudades, diz. 
Se queres ver, faz acontecer. 
Larga a armadura, sai da carapaça. 
Quem te trata como tu mereces, merece ser tratado exactamente da mesma forma, com a mesma reciprocidade. 
O outro não é responsável pelas dores que te fizeram sentir outrora. 
Vai... 
Vai ver as cores de que se pinta a vida, deixa o coração bater... 
E aprender a guardar o bom... 
E só o bom!

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Gosto de quem tira o melhor de mim..


 

  Gosto de quem faz os meus dias serem melhores. Gosto de quem me põe um sorriso no rosto, sem pedir nada em troca.
Gosto de quem me vê a alma, sem me descobrir o corpo. Gosto de quem me arrepia a pele com pequenas coisas. Gosto de todas as outras cores com que envolvem os cinzas e gosto da forma como as palavras saem. Gosto dos risos e dos sorrisos. Gosto da sensação de pertencer ali desde sempre. Gosto de como tudo se torna leve e gosto da forma como deixo de ouvir o ruído à volta.
Gosto do conforto descontraído embutido em segurança. Gosto de quem me vê, quando todos os outros apenas olharam.

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Quando se perdem os detalhes...


 

...Quando a atenção aos pormenores passa ao lado...

É meio caminho andado para se matar o que muito podia ter para florescer.
Não preciso de flores. Nem chocolates. Nem sítios da moda.

Não preciso de presentes.

Preciso e prezo tudo o que o dinheiro não compra.

Preciso daquele cuidado intrínseco de quem gosta...

Que se traduz em coisas tão simples e tão singelas como ouvir a voz, como provocar um sorriso.

Preciso de abraços apertados e risos desconcertados.

Preciso de deitar a cabeça na almofada e saber que o dia de alguém foi um bocadinho melhor.

E que alguém fez o meu dia melhor também.
São as coisas mais pequeninas que me agarram.

A certeza de que alguém pensou em mim.

Ao acordar. Ao deitar. Porque sim. Sem razão nenhuma.

Apenas porque sim.

São as coisas que não se compram que têm todo o valor...

Aquelas que são espontâneas, que vêm de dentro.

Que são sentidas.

 

 



segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Enquanto dormias...


 

 

 ...os meus pensamentos estiveram contigo. Não consegui desviar-me disso, como não tenho conseguido nos outros dias.
E na verdade, não tenho nada para te dizer, mas quis que soubesses disso... Que, enquanto dormimos, há alguém que se perde connosco nos pensamentos. Há sempre alguém que fica feliz por existirmos... E eu fico, por te saber aí. Por saber que existes. E a única coisa que pretendo é, independentemente de tudo, conseguir fazer te sorrir...
Se me perguntares porque gosto de ti, não te sei responder. Posso arriscar e dizer que foi o teu sorriso, que foram as tuas frases que me fizeram rir. Posso dizer que é esse teu jeito implicante que me irrita e me prende na mesma medida. Ou as conversas longas em que falamos de tudo e de coisa nenhuma. As madrugadas que passamos acordados enquanto trabalhamos. Foi o teu cuidado e a tua paciência. Quando tens a capacidade de me ver melhor do que aquilo que realmente sou... E que, a cada dia me faz querer ser melhor. São os teus elogios e esse trato bonito, bem à tua maneira... E esta certeza que eu tenho de que, és tanto mais do que me mostras. E eu sou paciente.

Não te assustes, não é uma declaração de amor nem nada idêntico... 

É somente um "gosto de ti" e "obrigada" por estares na minha vida.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Mudanças


 

 

Houve alturas na vida que me demorei onde não era o meu lugar. Outras houve em que nem cheguei a saber se havia lugar. Tive pressa para ir embora. Houve alturas em que insisti, outras houve em que desisti antes de começar.

Nunca sei muito bem o que me leva a tomar determinadas decisões. Se antes levava o coração para todo lado, hoje tento dividir o papel que ele deve ter com a razão. Fui ficando mais fria, mais distante, tenho a noção disso. Fui ficando mais alerta, mais esperta e, talvez, talvez tenha perdido grandes coisas por pensar demais.

Sei que ainda há pessoas que valem a pena. Tem de haver, porque o mundo não pode ser só isto. Mas a verdade é que (ainda) espero o pior de todos. Tenho "preguiça" para me dar a conhecer. Tenho medo de voltar a colocar o coração cá fora. E no final das contas, acabo por afastar as pessoas que, nem sempre sei ao que vêm. Acabo por me limitar por causa de facturas de outros tempos. Mas há um dia em que apetece fazer tudo diferente... Em que apetece simplesmente viver. Apetece acordar de manhã e saber que o dia de ontem valeu a pena... E que, o dia de hoje, valerá também.

 

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Acredito no amor


 Muito. De todas as formas. Em todas as vertentes. Mas não acredito no amor eterno. Contrariando algumas opiniões, para mim, o amor morre sim, tal e qual como nasce. Desvanece. Arrefece. E não pode ser usado como justificação para tudo. O amor não é um jogo de vale tudo. Pelo contrário.
O amor não pode ser desculpa para desvios de carácter, o amor não pode ser tolerante ao ponto de te anulares por outro alguém.
O amor só é válido onde prevalecer o respeito, a confiança e o cuidado... E onde falhar isso, perdoem-me, mas não lhe chamem amor. Sim, porque hoje "ama-se" levianamente, em vão... Gastam-se palavras em tudo o que não é o amor. O amor é, principalmente, livre. O amor não prende, não amarra, não agarra e não humilha. O amor não pode ser a razão pela qual te afundas, mas deve ser a razão pela qual encontras formas bonitas de viver. Porque o amor tem de ser bonito. Leve. Solto.
E na verdade, muito pouca gente sabe amar. Muito pouca gente se permite amar... E grande parte dos "amo-tes" escritos nas paredes e folhas soltas, são ditos ao acaso. São ditos sem sentido e sem se sentir. O amor é, principalmente atitude, em prol de palavras. O amor lê-se nos olhos e respira-se no peito

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Há dias em que não dá para ter filtros.


 

Em que as coisas precisam ser ditas tal e qual como são. Dá vontade de mandar foder todo o tipo de gente que só vive bem com o mal. Cansada de gente que não respeita, que mente e que utiliza todo o tipo de subterfúgios para não deixar cair a máscara. Cansada de pessoas que escolhem viver em contra mão com os limites dos outros. Cansada de gente sem escrúpulos que escolhe os "mais fracos" para se enaltecer.
É só triste... E revoltante. Como pode haver gente que, não tendo a razão do seu lado, pisa, enxovalha apenas porque sim? Como é possível que a lei do retorno demore tanto a colocar as coisas no sítio certo? Até quando?
Não tenho estofo nem estômago para digerir determinadas coisas... Não tenho capacidade de encaixe para a desonestidade e para a podridão da alma. Não tenho como aceitar sem me revoltar até às entranhas. Há coisas que, pura e simplesmente, não se fazem.
E infelizmente, o mal é sempre de quem é "mais pequeno", porque a sociedade está feita para os covardes... Está tudo organizado para os medíocres de espírito.
Mas ainda assim, não me desvio do que acredito ser o certo. Não me vendo e não me deixo corromper... E mesmo assim, ainda há um pedacinho de mim que acredita que, mais dia, menos dia, tudo se ajeita.
Por causa de gente má que é feliz, há pessoas boas a sofrer.