quarta-feira, 19 de novembro de 2014



Abraça-me. Quero ouvir o vento que vem da tua pele, e ver o sol nascer do intenso calor dos nossos corpos. Quando me perfumo assim, em ti, nada existe a não ser este relâmpago feliz, esta maçã azul que foi colhida na palidez de todos os caminhos, e que ambos mordemos para provar o sabor que tem a carne incandescente das estrelas. Abraça-me. Veste o meu corpo de ti, para que em ti eu possa buscar o sentido dos sentidos, o sentido da vida. Procura-me com os teus antigos braços de criança, para desamarrar em mim a eternidade, essa soma formidável de todos os momentos livres que a um e a outro pertenceram. Abraça-me. Quero morrer de ti em mim, espantado de amor. Dá-me a beber, antes, a água dos teus beijos, para que possa levá-la comigo e oferecê-la aos astros pequeninos. 

Só essa água fará reconhecer o mais profundo, o mais intenso amor do universo, e eu quero que delem fiquem a saber até as estrelas mais antigas e brilhantes. 

                         Abraça-me. Uma vez só. Uma vez mais. 
                          Uma vez que nem sei se tu existes. 

 
                                                                                          Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'


1 comentário:

  1. MINHA AMANTE

    Tu te foste.
    E por instantes, eu fiquei só, sem nada.
    Depois, quase de imediato
    Encontrei uma amante.

    Você se foi e ela entrou na minha vida.
    Lentamente.
    Agora, eu a tenho todos os instantes de minha vida.
    É com ela que satisfaço a falta de ti.

    Eu a desnudo.
    Deito em cima dela, às vezes ela por cima de mim...
    Não a largo mais. Fico com ela todo o tempo.
    Agora, eu a amo, eu a beijo.
    Mergulhamo-nos de cabeça um no outro.

    Estamos juntos todos os dias.
    Agarrados. Unidos. Únicos.
    Agora eu e ela somos um só corpo.
    O nome dela é "saudade de ti..."
    PDR....

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