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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Coisas que leio por aí...




O amor morre quando deixamos de inventar futuros. 
Há um dia em que o peito deixa de estrebuchar com ganas e achamos normal. E depois vamos andando, meio aos poucochinhos, sem olhar fundo nos olhos do outro. 
Quando damos por ela, não usamos mais do que quatro palavras para ter uma conversa inteira. 
Na verdade, chega bem para o que somos. Tudo tão a custo.
O sexo acontece às vezes, normalmente à sexta-feira, quando não é preciso levantar cedo no outro dia. É coisa triste de ver, dois corpos deitados e sem ideias, meio aos estremeções, pálpebras cerradas para não cegarem na poeira um do outro. Dói muito o sexo quando só é feito com o corpo!
As tardes, essas são mais alegres quando a chuva cai. Pelo menos ouve-se um bocadinho de voz. Uma espécie de nuvens a cantar... a remendar silêncio. O verdadeiro deserto deve ser esse, duas pessoas fundidas, sem som nem caminho, a esperar que alguém dotado de sonhos as leve ao espanto... a amar do corpo para fora! Viver, também é morrer às vezes.
(...)


Telmo Mendes

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O grande problema de dar segundas oportunidades é a confiança.



É voltar a confiar em quem nos magoou...
Será isso possível?
Voltar a confiar.
Ou apenas nos estamos a enganar e fingimos que está tudo bem.
Será que deixamos mesmo lá atrás as palavras/actos/ou acções cometidas intencionalmente ou não.
A confiança é como um cristal… quebra com facilidade, e juntar os todos os pedaços é uma missão quase impossível. Fica sempre um espaço, uma lacuna, uma parte que não se recuperou e deixa passar as inseguranças de dores anteriores.
Quando nos magoam matam uma parte nós, é como se nos empurrassem para um abismo, temos a sensação que estamos a mergulhar num vazio sem nexo, achamos que é o fim, por momentos é mesmo o fim…
Para nos protegermos fecha-mo-nos numa espécie de casulo, mas sabemos que um dia temos de reagir da letargia imposta. O problema é que estivemos demasiado tempo entregues a nós próprios a carpir a dor, que quando por fim abrimos os olhos estamos irremediavelmente sós.

E agora… voltamos a confiar?

É que com o passar do tempo nós até conseguimos perdoar o mal que nos fizeram, mas uma coisa é certa.
Esquecer jamais.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Nem sei que titulo dar a isto... devaneio ou profecia?



Existe qualquer coisa de enigmático que se esconde por detrás da falsa indiferença que ambos fazem questão de mostrar. 
Talvez no indizível dos pensamentos...
Fazem uma espécie de jogo de sedução, mortalmente perigoso e cuja única regra se impõe pelo silêncio que a rege e algo me diz que nenhum dos dois se atreverá a quebra-la, jamais!
Quando forem obrigados a permanecer frente a frente, sem terem para onde fugir, não terão outro remédio que não seja o de arriscar no jogo que servirá também para testar as suas resistências. 
Por isso, serão jogadores mudos até ao resto da vida, cientes de que nada mais haverá para ganhar, do que aquele momento tão desejado, além daquilo que todos os dias irão perdendo e que já conta desde o início, logo após o fim...
Será que terão coragem de trocar a amizade saudável que têm por uma leviandade, por um capricho, por um impulso, por uma paixão... e se algum dia ganharem, certamente que um dia o peso da perda será sempre maior do que o do ganho.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

A insónia dá nisto...



Somos simpaticamente falsos, hipocritamente simpáticos e convivemos assim tão fácil que até enjoa.

Somos felizes na inocência de um elogio falso, somos felizes num cenário que os outros criam para nós e que nos tratam de forma "queridinha".

Somos apunhalados pelas costas com uma "faquinha" que nem sabemos de onde vem mas que encaramos de forma quase natural.

Somos enganados por diminutivos que nos alimentam o ego e nos elevam a estima mas, na verdade não somos ninguém...

Agora pensem...

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Olhando para trás...





Hoje olho-te com a indiferença de um passado distante,
Já não sinto aquele aperto imenso dentro do peito,
Já não sinto o coração a bater descompassadamente,
Já não baixo o olhar, limito-me a seguir adiante,
Já não sinto mágoa, nem dor nem sequer despeito,
Já não sinto tristeza nem choro como antigamente.
Hoje olho-te à distância de um amor imenso
Que foi sem nunca ter sido mais que uma ilusão.
Hoje olho-te à distância e com um sorriso penso
Que és de todas a minha mais doce recordação.
Hoje olho-te à distância e não consigo evitar a saudade
Que a tua simples presença trás à minha memória.
Hoje olho-te à distância e sinto uma verdade imensa
Que me diz que és sem ter sido a minha melhor história!

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Solidão versus solitária..





Sempre tive muito medo de estar sozinha, ficar sozinha, de ser sozinha…
Mas ao longo da vida descobri que a solidão é um estado de espírito, e do que eu tinha realmente medo era de perder as pessoas que amo. Só mais tarde descobri que me podia perder também, e que a vida é um círculo vicioso, mais dia, menos dia eu vou inevitavelmente esbarrar com a tão temida solidão.
Sempre fui a favor de muitos amigos, muitos lugares, muitos livros, muitas músicas, família grande, telefones tocando, de mil coisas para fazer, de fazer girar o mundo, no fundo tinha medo de me sentir sozinha, não falo de estar sozinha, isso por vezes é natural, mas sentir-me sozinha… isso sim é tenebroso.
Porque sentir-me sozinha é não ter ninguém para ligar, estar sozinho é ligar para alguém e saber que do outro lado alguém vai atender.
Porque sentir-se sozinha é não ter amigos, estar sozinho é saber que temos amigos que correm para nos ajudar se precisarmos.
Sentir-se sozinha é engolir o choro, estar sozinha é saber que algures existe um ombro onde podes desabar… e por aí vai…
Talvez esta minha mania de escrever tudo o que me vai na alma seja o medo que eu tenho de me sentir sozinha. Talvez hoje eu escreva porque sei que alguns leitores me vão dar a sensação que não estou sozinha…
Vá-se lá saber… sobrou para vocês !

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Coisas minhas...





Sou maluca por incensos, alguns mais que outros é bem verdade, mas por norma gosto de quase todos, têm o poder de acalmar a minha veia arruaceira, vá-se lá saber porquê…
Neste momento tenho em casa aroma de chocolate, baunilha e canela, dizem que faz milagres…
- O de chocolate augura fortuna, harmonia e bem-aventurança

- O de baunilha garante bem-estar, harmonia, amor

- O de canela atrai dinheiro e  sorte

Pois devo dizer que isto é uma valente treta!
A semana passada, por exemplo, acendi o de baunilha e não vi nenhum George Clooney a bater-me à porta (e a este, confesso, teria aberto a porta a qualquer hora, que uma gaja também não se pode armar em difícil sem fazer um intervalo de vez em quando...).
Quanto ao incenso de chocolate, que acendi durante o fim-de-semana, também se revelou uma verdadeira fraude...
Fortuna, que é boa, nem vê-la.
A conta continua cristalizada nuns valores que nem é bom referir.
E sem cheta não há harmonia nem bem-aventurança possível.


Valha-me ao menos o facto de ser crédula, porque pelo menos durante os dois minutos que levei desde a prateleira de incensos até à caixa da loja dos chineses, vi a minha vidinha toda resolvida.