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quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Quases...


 

És um quase que quase aconteceu
E, apercebi-me hoje que a palavra mais sofrida do dicionário é esta…
Quase!
Quase fomos.
Quase fizemos.
Ah! Quase que foi!
Apaixono-me sempre por histórias com princípio e fim e nunca sei onde encaixar o meio.
Nas coisas que ficaram por fazer, nas coisas que quase dissemos, nos durante que quase o foram, para o final serem apenas um fim.
E, são estes quases, que ficam por um triz de acontecer que, quase doem mais do que aquilo que realmente acontece.
Porque projectamos a ilusão do que seria, no meio dos desejos que não nos permitimos viver…
Concordam?


quarta-feira, 16 de agosto de 2023

O meu sentir...


 Os dias parecem todos iguais. 
Não estás bem em lado nenhum, com ninguém. 
Apetece fazer mil coisas ao mesmo tempo que decides não fazer nada. 
Sentes -te invisível. 
Com uma dor que ninguém vê, mas que te trespassa o peito. 
Olhas à volta e questionas-te sobre tudo e todos. 
Estar sozinha é a tua maior paz. 
Ao mesmo tempo que sentes falta de alguém. 
Tempos estranhos estes. 
De lutar contra o que sentes em prol do que achas que precisas. 
Os dias são de sol e, ainda assim, não deixam de ser cinzentos... 
Nas coisas que sentes e não querias sentir. 
No acolher desse turbilhão de sentimentos que engavetaste durante tempo demais e agora te atingiu com a força máxima. 
No silêncio que precisas para te ouvir, mas que te faz sentir sozinha. 
Nos gatilhos que aparecem do nada e te levam para lugares escuros de onde pensavas já teres saído há muito. 
Dizes a toda a gente que estás bem. 
É mais fácil assim. 
Foi o que aprendeste a fazer para não incomodar. 
Mas hoje sabes que, um "está tudo bem?" também é preciso. 
Hoje sabes que, talvez, antes de ter dado tanto aos outros, devias ter cuidado de ti primeiro. 
A sensação é de alma sugada. 
De vazio. 
De que ninguém te vê. 
E, uma vez mais, vais ter que te virar sozinha. 
Vais ter continuar a fingir que estás bem. 
Porque, afinal, tu és forte, tens sentimentos, já aguentaste demais... 
Mas nunca ninguém se vai lembrar disso. 
És tu contra o mundo. 
Outra vez. 
Sempre assim... 


terça-feira, 1 de agosto de 2023

Se amanhã eu não estiver aqui...




Lembra-te de todas as palavras que te dediquei, pois sabes que em cada uma delas ia uma parte do meu coração.
Se eu amanhã não acordar, lembra-te de mim pelas minhas atitudes.
Se amanhã eu não estiver aqui, lembra-te de todas as vezes que acreditei em ti e lembra-te do quanto eu persisti…
Era a minha forma de te dizer o quanto me eras.
E lembra-te de todas as nossas conversas em que te dizia o quanto eram únicas as coisas que sentia.
Se eu amanhã não estiver aqui, lembra-te de todas as coisas bonitas que sabes que tens e que encontres uma forma de as dividir com alguém e de realmente te expores, mesmo que não seja comigo… porque uma das marcas que eu espero ter deixado em ti é que não há problema nenhum em sentir e que estar vulnerável também faz parte da natureza humana.
E se amanhã eu não estiver aqui, lembra-te sempre de que antes de ser mau, foi muito bom e guarda isso contigo.
Todas as coisas que não disse.
Todas as coisas que não fizemos.
Toda a vida que deixamos para depois…
Mesmo aquelas que não concordaste.


segunda-feira, 24 de julho de 2023

Há um mar...



... adentro em mim cujas ondas deixaram de se encrespar. 
Onde molhar os pés assusta mais agora do que surfar em mar revolto. 
Há um mar em mim que pede maré baixa. 
Calmaria. 
Há em mim, agora, uma necessidade constante de silêncio.
É difícil sair de lugares escuros para onde voltamos fruto de situações que pensamos estarem resolvidas dentro de nós. 
É difícil não pensar nos porquês e por mais voltas que demos, também é preciso acolher todas as coisas que sentimos, independentemente, de serem boas ou más. 
Chorar, gritar, voltar a chorar. 
Pensar para entender. 
Ressignificar para tentar fazer com que deixe de doer. 
Saber que há gatilhos que nos vão fazer despertar para essas situações e saber como poder controlar isso. 
O princípio fundamental é não assumir uma culpa que não é nossa. 
Há coisas que simplesmente acontecem e não podes fugir delas. 
E cansa ter o peito nu constantemente aberto às balas. 
E há dias que são pura dor. 
Que são difíceis de viver. 
E também estes são necessários. 
Só quando os conseguimos entender e assumimos tudo aquilo que sentimos se torna menos difícil levar o barco para a frente. 
Somos fruto do que fizeram connosco e a diferença é o como lidamos com isso. Como fazemos para que doa menos. 
Como aceitamos tudo aquilo que não dependia de nós. 
Como limpamos as coisas que nos fazem mal. 
E é aí que fica um vazio. 
É neste momento que começa a transformação. 
Na capacidade de o sustentarmos durante determinado tempo até que percebamos para onde queremos ir ou como o vamos preencher. 
É neste vazio que percebemos que há pessoas que já não nos servem mais, que os círculos ficam mais curtos e menos interessantes, que tudo aquilo que outrora nos coube já não faz mais sentido. 
É nesta luta entre tudo aquilo que sentimos e o que já sabemos que tomamos decisões. 
Ou voltamos aos velhos hábitos e repetimos em loop todos os padrões de que tentamos fugir ou seguramos a barra e só ficamos com o que acrescenta. 
É aqui que o medo toma conta. 
De fazer novo. 
De deixar entrar algo novo. 
O novo assusta. 
Sempre. 
Mas também é aqui que podes (re) começar a viver. 
Assusta olhar para dentro. 
Dói. 
Consome. 
É  aqui que te sentes sozinha, porque ninguém vai parar para te entender ou para te ouvir. 
É aqui que sabes que dependes, exclusivamente, de ti. 
É aqui que sabes que poucos te veem. 
Mas sem isso, seremos sempre iguais a ontem. 
E eu... 
Eu quero ser melhor amanhã.


terça-feira, 11 de julho de 2023

Constatações...


 

As pessoas chegam à nossa vida num tempo específico, que pode ser breve ou por uma vida inteira.
E cada uma delas encaixa -se num lugar diferente dentro de nós.
E, aquilo que nos causa dor é quando as colocamos nas categorias erradas.
Há lugares que não são para todos.
Não devemos nunca subestimar as coisas que sentimos.
A mesma pessoa que nos faz ser forte, pode ser a mesma que nos traz vulnerabilidade.
E a mesma que nos dá a mão, pode ser a mesma que nos empurra.
Por isso é tão importante não ignorar os sinais que o Universo envia para proteger a nossa alma.
Os das atitudes.
Porque as palavras voam com o vento e perdem-se no meio das parvoíces que se dizem sem pensar.
Percebi com o tempo que as acções dos outros reflectem tal e qual aquilo que se passa dentro deles e que o problema não se prende comigo.
Embora, muitas vezes, ainda lute com isso.
Percebi que, nem sempre vais colher aquilo que emanas, que nem sempre os outros sabem dar.
E sim, é sobre isso.
Sobre reciprocidade.
Não acredito na lenga lenga do "dar sem esperar nada em troca" no que diz às respeito às relações humanas.
Se dás, deves receber.
As relações sejam elas de que espécie forem, não podem ser unilaterais, caso contrário, serão apenas desgaste com punhos em pontas de faca...
A vida é uma caixa de surpresas e não devemos dar nada por garantido.
Ninguém para para amenizar as tuas dores.
Ninguém espera que te cures ou te salves nesta selva que é a vida.
Ninguém se vai questionar de onde vens ou o que tiveste que fazer para estares onde estás. Ninguém.
Ninguém te vai ver.
Vão apenas olhar-te. 
Nessa volatilidade fica quem tiver de ficar e sai quem tiver de sair.
Mas nesse hiato de tempo, sentir tudo o que houver para sentir.
Medo.
Angústia.
Dor.
Amor.
 Mas sentir…
Porque no dia em que não puder sentir, já estarei morta com vida.
Já não serei eu.

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Bem querer...


 

Querer bem! 
Sempre! 
Em toda e qualquer circunstância!
Mesmo aos que nos magoaram! 
Principalmente a esses!
Não alimentar ressentimentos ou rancores é o ponto de partida para a cura... 
É deitares a cabeça na almofada com a consciência tranquila e a certeza de que o mal não está em ti...
Querer bem, sem esperar nenhum tipo de reconhecimento, apenas porque sim, porque acredito na lei do retorno... 
Que faças o que fizeres nesta vida, de bom e de mau, a ti voltará... 
Por isso, eu escolho ser do bem...
É ter um "B" de boa e não de "burra"... 
É não servir de tapete para quem já nos pisou, mas ainda assim, ter os braços abertos e as mãos estendidas se preciso for...
É teres um sorriso e um abraço pronto para o outro quando, tantas vezes, a tua alma grita por um abraço também. 
É quando o teu coração te diz que é para ficar, quando a vida já te mandou sair...
É tratarmos os outros exactamente da mesma forma que gostaríamos de ser tratados. É educar emocionalmente o coração... 
É saber ser bom, quando as pessoas à volta, parecem sempre tão más!
E o querer bem... 
Não está nas grandes atitudes, nos altos gestos, pelo contrário... 
Está nas coisas mais simples, mais pequeninas do quotidiano...
Querer o bem é o único investimento que nunca falha

domingo, 28 de maio de 2023

Gosto de coisas com cheiro a impossível.


 

 Gosto da improbabilidade. 
Gosto de tudo o que me cheire a vida, que me faça acelerar o coração. 
Pago o preço por sentir. 
Se for fácil, não é para mim. 
Gosto da intensidade das sensações à flor da pele, embora não goste sempre de tudo o que sinto. 
E, principalmente, do que permito, às vezes, que me façam sentir. 
Não posso controlar as atitudes dos outros, mas posso controlar a forma como sentir ou reagir perante elas. 
E isso, também torna as coisas imprevisíveis. 
Quando passamos de dados adquiridos à indiferença. 
Ou quando tiramos as vendas dos olhos, as purpurinas e vemos as coisas tal e qual como são. 
Caímos e sabemos que o chão não é o lugar. 
Gosto desse processo também. 
De nos (re) conhecermos no meio do caos e saber que lá à frente, voltaremos a correr exatamente o mesmo risco para poder viver. 
Porque quedas não nos definem e confiar nos outros é um risco que um dia, pode correr bem. 
Só não podemos é ficar agarrados ao que nos doeu. 
A vida corre ligeira todos os dias e, por si só, já é demasiado complicada, para viver a remoer o que não dependia de nós. 
Ninguém se vai lembrar de nós um dia. 
Seremos apenas um nome escrito num qualquer papel ou documento perdido. Não faremos parte das memórias de quase ninguém, pois só quem nos guardou no coração, quem nos viu enquanto outros apenas olharam, se irão lembrar de nós... 
E esses representam uma ínfima minoria de todas as pessoas com quem cruzaremos ao longo da vida. 
Então não há tempo para perder com vazios. 
E o que hoje é, amanhã pode não ser...
É preciso activar o modo vida. 
Viver. 
Ver. 
 Sentir. 
Fazer amor. 
Cair. 
Levantar. 
Voltar a viver. 
Não olhar para trás. 
Guardar as coisas bonitas, mas não esquecer das outras. 
Sorrir. 
Abraçar. 
Rir alto. 
Não comparar. 
Ser grato. 
E amar. 
Porque o amor ainda (nos) salva. 
E se não houver amor... 
Partir. 
E recomeçar tudo de todas as vezes... 
Até morrer.