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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Coisas minhas...

 
 
 Cada vez gosto menos que as pessoas gostem muito de mim.
Gosto cada vez menos que se "agarrem" a mim, que me queiram tanto.
Não gosto que coloquem demasiadas expectativas sobre as minhas costas, que me achem perfeita.
Tudo bem que tento estar ao lado dos meus amigos, que dou tudo o que tenho e o que não tenho, que não sei fingir sentimentos, e que as pessoas que se aproximam é porque gostam da minha maneira de ser.
Sou verdadeira.
E não tenho medo de dizer o que for preciso.
Mas com o tempo aprendi a desapegar-me das pessoas.
Por isso assusta-me cada vez mais sentir que se apeguem a mim.
Por mais que seja bom ver que me dão valor, eu não quero desiludir ninguém quando descobrirem que eu não sou tão perfeita como julgam, e que também falho como qualquer pessoa de carne e osso.
É que exigem de mim coisas que eu nunca disse que sabia dar.
E isso deixa-me mal, por deixar os outros mal.
É por isto que gosto cada vez menos que gostem de mim, ou pelo menos que gostem muito. Porque se eu cometer um erro não me atiram pedras, atiram-me logo um pedregulho.
E porquê?
Porque era eu.
E eu não era suposto errar...
Para os outros não erro.
E depois?...
Depois é:

'' Magoaste-me tanto com essa atitude. Logo tu, nunca pensei isso de ti.''

Parabéns, também nunca pensei muitas coisas de mim, nem de ti, nem dela, nem dele, nem do mundo, e vou levando com elas à mesma.
E agora?
Acham que já não sou boa pessoa?
Por incrível que pareça e ao contrário de tanta gente que quer que gostem deles, que os adorem, que os idolatrem,  eu não quero nada disso. 
 E agora?
Já não gostam muito de mim?
Ainda bem, era mesmo isso que eu precisava de ouvir.

Ou é amor ou fome...



:)

Limpezas de Inverno




Arrumar o passado não quer dizer esquecer e muito menos apagar ou fingir que nunca existiu. 
Pelo contrário, arrumar quer dizer isso mesmo. 
Significa deitar mãos à obra, olhar para cada coisa, pegar-lhe com cuidado e atribuir-lhe primeiro uma importância, e depois, uma gaveta.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Algures em Aveiro...


Espirituosos os "Aveirenses"
:)

Se querem saber como alguém é verdadeiramente:



- Experimentem dar-lhe o mínimo de autoridade junto de um grupo de pessoas.

- Experimentem dar-lhe um lugar de destaque.

- Experimentem dar-lhe um título que lhe dê visibilidade, por muito pouca que seja.



Eu já sabia que existia muita gente ávida, sedenta de se armarem em importantes.
Mas a arrogância que se impôs rapidamente e a forma com que passaram a dar ordens por acharem que agora sim, são superiores a toda a gente, não me surpreendeu.
Aliás, eu sabia, de antemão que na primeira oportunidade, ela ia calcar as "amigas".
Indirectamente isso era assumido.
Bastava ler nas entrelinhas.
Eu vou rindo, de "camarote".
Estalou o verniz.
E, quando não é connosco mas com quem foi das nossas maiores críticas, tem sempre alguma ironia.
Vai me saber tão bem observar de tudo, de fora, sem dramas, sem preocupações.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Porque sim...


Gosto da voz, dá-me paz...






"Ele não sabe mais nada sobre mim. Não sabe que o aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu, que os meus olhos estão menos melancólicos, mas que tenho estado quieta, calada, concentrada numa vida prática e sem aquela necessidade toda de ser amada. Ele não sabe quantos livros pude ler em algumas semanas. Não sabe quais são meus novos assuntos nem os filmes favoritos. Ele não sabe que a cada dia eu penso menos nele, mas que conservo alguma curiosidade em saber se o seu coração está mais tranquilo, se seu cabelo mudou, se o seu olhar continua inquieto. Ele nem imagina quanta coisa pude planear durante esses dias todos e como me isolei para tentar organizar todos os meus projectos. Ele não sabe quantos amigos desapareceram desde que me desenvencilhei da minha vida social intensa. Que tenho sentido mais sono e ainda assim, dormido pouco. Que tenho escrito mais no meu caderno de sonhos. Que aqui faz tanto frio, ele não sabe por mim. Ele não sabe que eu nunca mais me atentei para saudade. Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável. (...) Hoje foi um dia em que percebi quanta coisa em mim mudou e ele não sabe sobre nada disso. Ele não sabe que tenho estado tão só sem a devastadora sensação de me sentir sozinha. Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós, eu tive que me tornar minha melhor companhia: ele nem imagina que foi ele quem me ensinou esta alegria."

[Marla de Queiroz]