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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Apetece-me gritar até ficar sem voz e sem forças!




Apetece-me explodir!!!
Apetece-me mostrar o meu lado obsceno!
Apetece-me dizer tudo aquilo que nunca digo!
Apetece-me fazer todas as asneiras que sei!
Apetece-me partir tudo pelo simples facto de destruir!
Apetece-me magoar!
Apetece-me ser má!
Apetece-me mostrar que também sei quando é preciso ser cínica!
Apetece-me ouvir a música que sempre odiei só para dizer "que merda de música, que me complica os nervos"
Apetece-me dizer fod@-se ............. para isto tudo!!!
Apetece-me porque estou de mau humor!



(amanhã isto passa....mas hoje estou assim! Também tenho direito!!!!)




segunda-feira, 5 de junho de 2017

Estou a ficar velha...





Dizem que, a uma certa idade, nós as mulheres nos tornamos invisíveis.
Que nossa actuação na cena da vida diminui, e que nos tornamos inexistentes para um mundo onde só cabe o impulso dos anos jovens.
Eu não sei se me tornei invisível para o mundo, mas pode ser.
Porém nunca fui tão consciente da minha existência como agora, nunca me senti tão protagonista da minha vida, e nunca desfrutei tanto cada momento da minha existência.
Descobri que não sou uma princesa de contos de fada; descobri o ser humano sensível que sou e também muito forte.
Com suas misérias e suas grandezas.
Descobri que posso me permitir o luxo de não ser perfeita, de estar cheia de defeitos, de ter fraquezas, de me enganar, de fazer coisas indevidas e de não corresponder às expectativas dos outros.
E apesar disso…
Gostar de mim
Quando me olho no espelho e procuro quem fui… sorrio àquela que sou…
Alegro-me do caminho andado, assumo as minhas contradições.
Sinto que devo saudar a jovem que fui com carinho, mas já é tempo de deixá-la de lado porque agora me atrapalha.
O seu mundo de ilusões e fantasias já não me interessam mais.
É bom viver sem ter tantas obrigações.
Que bom não sentir o desassossego permanente causado por correr atrás de tantos sonhos.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Esta coisa de morar sozinha...





De início, descobres a parte boa de não ter que dividir o mesmo tecto com alguém. Andar nua pela casa, deixar a cama por fazer e acordares à hora que quiseres. Descobres como é bom não ter ninguém te advertindo só porque deixaste a toalha molhada em cima da cama, ou porque só comes fast-food ou chegaste tarde a casa.
Depois acontece aquele momento em te perdes dentro do teu próprio apartamento. Quebras a cabeça com as contas da luz, da água e do condomínio. Aquele momento em que até tentas ter uma alimentação saudável, mas descobres que comida fresca estraga muito rápido e pensas:  
Quem mandou comprar frutas e legumes para uma semana? 
Então, voltas ao supermercado decidida a levar só metade das coisas que tinhas comprado antes. E aí percebes que lá não têm meia alface nem meio pacote de pão de forma.
O problema é quando chegas em casa e não tens ninguém para te ouvir contar como foi o teu dia, para dividir a refeição, a cama e os sonhos. 
O silêncio pesa e sentes-te vazia.
Esse vazio pode ser a saudade do arroz mãe… Pode ser por causa do bife que ficou duro e o teu fogão parece um campo de batalha, ou as plantas que morreram porque te esqueceste de regá-las…
Porém, um dia descobres que é possível morar sozinha sem ser solitária. Começas a resolver os teus problemas e a tua intuição aflora.
Descobres que a solidão é um exílio fundamental para o teu auto conhecimento. Mas é preciso tomares cuidado para que não te percas em martírio e auto piedade; neste caso, o teu pior inimigo serás tu mesma. Tu e a tua inércia. 
Tu e a tua teimosia em aprenderes a morar sozinha.
No fundo não importa se estás a morar sozinha por uns tempos ou pelo resto da tua vida. Olha para dentro de ti e faz presente o que te falta, é como compores poesia com o teu próprio silêncio. Ao prosseguires com a vida que te foi dada, o importante é seres feliz com o que tens. Basta aprenderes a rir sozinha da tua desarrumação e surpreenderes-te com tua coragem. 
O importante é fazeres da experiência de morar sozinha a tua melhor arte.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Velha infância...





A criança que fui chora na estrada. 
Deixei-a ali quando vim ser quem sou. 
Mas hoje, vendo que o que sou é nada, quero ir buscar quem fui onde ficou.
                                                                                                                              
 


                                                                                                                         Fernando Pessoa