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terça-feira, 6 de outubro de 2020

Mudanças


 

 

Houve alturas na vida que me demorei onde não era o meu lugar. Outras houve em que nem cheguei a saber se havia lugar. Tive pressa para ir embora. Houve alturas em que insisti, outras houve em que desisti antes de começar.

Nunca sei muito bem o que me leva a tomar determinadas decisões. Se antes levava o coração para todo lado, hoje tento dividir o papel que ele deve ter com a razão. Fui ficando mais fria, mais distante, tenho a noção disso. Fui ficando mais alerta, mais esperta e, talvez, talvez tenha perdido grandes coisas por pensar demais.

Sei que ainda há pessoas que valem a pena. Tem de haver, porque o mundo não pode ser só isto. Mas a verdade é que (ainda) espero o pior de todos. Tenho "preguiça" para me dar a conhecer. Tenho medo de voltar a colocar o coração cá fora. E no final das contas, acabo por afastar as pessoas que, nem sempre sei ao que vêm. Acabo por me limitar por causa de facturas de outros tempos. Mas há um dia em que apetece fazer tudo diferente... Em que apetece simplesmente viver. Apetece acordar de manhã e saber que o dia de ontem valeu a pena... E que, o dia de hoje, valerá também.

 

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Acredito no amor


 Muito. De todas as formas. Em todas as vertentes. Mas não acredito no amor eterno. Contrariando algumas opiniões, para mim, o amor morre sim, tal e qual como nasce. Desvanece. Arrefece. E não pode ser usado como justificação para tudo. O amor não é um jogo de vale tudo. Pelo contrário.
O amor não pode ser desculpa para desvios de carácter, o amor não pode ser tolerante ao ponto de te anulares por outro alguém.
O amor só é válido onde prevalecer o respeito, a confiança e o cuidado... E onde falhar isso, perdoem-me, mas não lhe chamem amor. Sim, porque hoje "ama-se" levianamente, em vão... Gastam-se palavras em tudo o que não é o amor. O amor é, principalmente, livre. O amor não prende, não amarra, não agarra e não humilha. O amor não pode ser a razão pela qual te afundas, mas deve ser a razão pela qual encontras formas bonitas de viver. Porque o amor tem de ser bonito. Leve. Solto.
E na verdade, muito pouca gente sabe amar. Muito pouca gente se permite amar... E grande parte dos "amo-tes" escritos nas paredes e folhas soltas, são ditos ao acaso. São ditos sem sentido e sem se sentir. O amor é, principalmente atitude, em prol de palavras. O amor lê-se nos olhos e respira-se no peito

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Há dias em que não dá para ter filtros.


 

Em que as coisas precisam ser ditas tal e qual como são. Dá vontade de mandar foder todo o tipo de gente que só vive bem com o mal. Cansada de gente que não respeita, que mente e que utiliza todo o tipo de subterfúgios para não deixar cair a máscara. Cansada de pessoas que escolhem viver em contra mão com os limites dos outros. Cansada de gente sem escrúpulos que escolhe os "mais fracos" para se enaltecer.
É só triste... E revoltante. Como pode haver gente que, não tendo a razão do seu lado, pisa, enxovalha apenas porque sim? Como é possível que a lei do retorno demore tanto a colocar as coisas no sítio certo? Até quando?
Não tenho estofo nem estômago para digerir determinadas coisas... Não tenho capacidade de encaixe para a desonestidade e para a podridão da alma. Não tenho como aceitar sem me revoltar até às entranhas. Há coisas que, pura e simplesmente, não se fazem.
E infelizmente, o mal é sempre de quem é "mais pequeno", porque a sociedade está feita para os covardes... Está tudo organizado para os medíocres de espírito.
Mas ainda assim, não me desvio do que acredito ser o certo. Não me vendo e não me deixo corromper... E mesmo assim, ainda há um pedacinho de mim que acredita que, mais dia, menos dia, tudo se ajeita.
Por causa de gente má que é feliz, há pessoas boas a sofrer.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Nas palavras que nunca te disse...





Nas perguntas que nunca te fiz, nas respostas que nunca me deste, mora a saudade. Nas coisas que não fizemos, nos cuidados que não tivemos, mora o desejo de quem queria ter feito tudo diferente. Nos sonhos que não sonhamos e nas aventuras que ficaram por fazer, vives tu. Sempre. Porque em cada pedacinho da minha pele, tu és-me tanto.

Ainda não sei explicar isto e talvez não careça de explicação... Porque o sentir não pede dicionário nem adjectivos que o qualifiquem.

Só hoje, já te tive mil vezes. Só hoje, já ouvi a tua voz outras tantas. Só hoje, sonhei-te acordada pelos dias que ainda virão. Só hoje, já te chamei baixinho por uma vida inteira. Só hoje... E ontem... E os dias anteriores...

E embora tu não estejas, eu sei que estás. E embora não me sejas, eu sei que és... Porque existes... Porque és de verdade. De carne e osso. Porque tens essa alma de gente bonita que me encant(ou)a desde o primeiro instante. E por saber que existes o meu coração sorri, porque mesmo que a vida não nos volte a cruzar, sou grata porque o fez um dia...


quinta-feira, 21 de maio de 2020

Pensamentos





quarta-feira, 29 de abril de 2020

Nunca sei muito bem como gerir este tipo de emoções.


Sinto-me como se estivesse a viver em piloto automático... 
Anestesiada a uma situação que eu não escolhi viver, assim como ninguém... Mas que me r(d)ói por dentro.
Entre os isolamentos no trabalho e o isolamento em casa, sobra muito pouco espaço para ser feliz. De repente, vi-me privada de tudo... 
De percorrer os cantos da minha casa, de abraçar os meus sobrinhos, de cozinhar para nós. Sinto que me tiram todos os dias um pouco mais de vida, sinto que me roubam todas os dias momentos preciosos. E isso transforma-se em inércia e apatia. Quanto menos faço, menos me apetece fazer. 
A cabeça não pára e só me pergunto "até quando"?
O sono parece sempre pouco e as horas intermináveis. Os dias tornaram-se todos iguais e as vontades deixaram de fazer sentido, porque não há nada que eu possa fazer.
Deito a cabeça na almofada e pergunto-me vezes demais quem cuidará de mim. Falta muito pouco tempo para regressar ao trabalho, para voltar a estar longe de casa a cuidar de quem precisa... E parece um ciclo vicioso entre prisões... E a juntar a tudo isto o coração apertado de espreitar os meus por entre vãos de portas, de só os poder abraçar com os olhos... Porque no meio de tantos cuidados, ainda não há quem cuide dos cuidadores.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Fui ali... já volto...




Não era a guerra, mas eram as trincheiras. 
Era o medo. 
A saudade de quem fica para trás. 
A angústia e a incerteza de não saber o que trazemos agarrados à pele... 
Era a luta sem rosto. 
Mas é a certeza de que tudo foi feito. 
Que a consciência dorme tranquila. 
Faço pelos meus e pelos filhos de ninguém. 
Desejem-me sorte e coragem... 
E que os dias longos se tornem mais curtos...
Passei um dia inteiro a questionar: "porquê eu?" ' Porquê a mim?" 
Eu quero acreditar que me estava destinado pelas melhores razões. 
E não sou hipócrita, pensei em virar as costas confesso... 
Mas sei que os meus estão bem e os outros estarão ou não.
Expliquei à minha sobrinha o que ia fazer e ouvi: "tenho muito orgulho em ti"! Sei que vou pelas razões certas. 
Pelos que deixo e pelos que vou encontrar.
Hoje faço a mala... 
Não sei por quantos dias porque não me considero invencível ou imortal... Faço para ir até onde der. 
Faço para amparar os que já estão em queda livre.
E eu tenho tanta sorte. 
Pelos que me querem bem. 
Pelos que me amam. 
E pelos que amo também. 
Prometo voltar depressa.