Ela
tem um jeito de menina bruta que se agarra na vida e nas pessoas. É
meio ácida até quando tenta ser doce. Tem um labirinto dentro de si,
cuja saída ainda falta descobrir. Vive nos extremos opostos. Hoje quer
andar de carrossel, amanhã não te admires se a vires na montanha russa.
Hoje quer sentir o sol bater-lhe na cara, amanhã pode nem querer ver a
luz do dia.
Consegue ser a descontracção no meio do caos e
transformar o mais simples em complicação. É diferente de muitas. Por
fora e por dentro. Gosta do improvável, mas tem medo do desconhecido.
Não lhe cabem os meios termos. Para ela não existem meias verdades,
meias intenções, meios amigos. É de tudos e de nadas. Procura sempre o
lado bom das coisas e das pessoas e ressignifica. Tenta encontrar razões
para ficar, para estar bem e de bem. Tem um jeito próprio de ser que
poucos lhe conhecem e que, não faz questões que muitos mais lhe vejam.
Tem "preguiça" de se dar a conhecer por saber o quanto são descartáveis
as pessoas e os momentos... Por assim ser, preza tanto os seus como a si
própria. Ela gosta de gostar e de cuidar, mesmo nem sempre sabendo
exteriorizar da melhor forma, se ela está, ela sente. Ela não gosta de
surpresas, mas gosta de ser surpreendida. Gosta de atitudes ao acaso e
gosta da excitação do inesperado. Ela gosta de gente que sente e que diz
que sente.
segunda-feira, 17 de maio de 2021
Na terceira pessoa...
quinta-feira, 29 de abril de 2021
E tudo se tornou descartável...
... Principalmente as pessoas. As relações
tornaram-se demasiado complexas e as pessoas demasiado difíceis. O amor é
feito de gostos e comentários, as conversas transformaram-se em nudes. À
distância de um clique, evaporas a pessoa da tua vida. Os beijos foram
substituídos por áudios. Os abraços transformaram-se em sexo fácil. E o
sentir, o sentir nem entra na equação. Está na moda o não querer
compromissos. Está em alta pisar os sentimentos dos outros. Está em voga
o saltar de cama em cama. O silêncio é presença constante. O nada
também.
As pessoas perderam-se no medo de sentir, perderam-se nas
dores que não foram capazes de curar. Mexem sem intenção de ficar. Tocam
sem tocar. Tornaram-se vazias e a única coisa que têm para oferecer são
meia dúzia de minutos de prazer. E quando o prazer acabar? O que resta
depois disso?
A vida não é isto. As pessoas não podem ser só isto. É precisamente, o oposto.
quarta-feira, 21 de abril de 2021
Precisava...
...
de deixar de lado alguns padrões. Precisava de deixar de andar em
círculos e entrar em becos sem saída. Tinha uma tendência natural para
gostar e querer tudo aquilo que lhe fazia mal. Sabia-o bem, mas
sabia-lhe bem... Até lhe pisarem os sentimentos.
Faltaram-lhe coisas
na vida que acabou por ir procurar, sem encontrar, nos sítios errados.
Perdeu-se nas efemeridades de quem procurava eternidade em pessoas
rasas. Prometeu a si mesma não voltar a esses ciclos. Aprendeu a
reavaliar as pessoas e agora distingue bem o que é para ser do que nunca
será. Tem as prioridades em ordem e a sua é apenas uma: não permitir
que lhe voltem a atropelar o coração e fazer de si a pessoa mais
importante da sua vida. Não lhe tem corrido mal. Mantém-se longe de tudo
aquilo que a pode fazer tremer e aprendeu a não empolar sentimentos.
Ficou com os momentos e guarda as sensações. Dá o que tem, mas se não
recebe de volta é como se dentro de si morresse alguma coisa. Recua e
redefine tudo de novo. Muda o contexto e acerta as circunstâncias.
Deixou de levar o coração para todo o lado e aprendeu a colocá-lo cá
fora apenas para quem o sabe cuidar. Não ficou fria, mas já não se deixa
queimar.
terça-feira, 6 de abril de 2021
Pensamentos meus...
Fico
sempre a perguntar-me onde falhei, o que faltou, porquê e porquê...
Tenho este enorme problema, assumidissimo, de pensar demais. Penso
antes, durante e depois. Questiono todas as minhas escolhas, o que
poderia ter feito diferente, que palavras poderia ter trocado, que
atitudes poderia ter emendado. Coloco-me no lugar do outro, tantas vezes
quantas forem necessárias e quando não encontro as respostas, demoro
até encontrar a minha paz. Tenho sempre a consciência de que há muito a
melhorar, que podemos sempre aperfeiçoar e se há coisa que me inquieta é
esta incerteza das coisas, estas dúvidas em relação a mim e aos outros.
Gosto de estar bem comigo e com os meus e quando as situações mudam
sem que eu consiga perceber o porquê, abala-me de uma forma que me
consome. Nem sempre agimos de uma forma intencional e até podemos acabar
por magoar os outros, mas gosto de o saber. E embora tenha uma mente
inquieta que, às vezes pode tornar-se um verdadeiro tsunami, a minha
preocupação é saber que não falhei com ninguém, pelo menos de forma
deliberada... E sentir que pessoas de quem gosto se vão sem um porquê,
encolhe-me por dentro. Eu sei que nem toda a gente é de ficar, aliás, a
grande maioria é temporária, mas sei lá... dói-me. Pelas partilhas, pelo
afecto, pela conexão... e por tantos outros factores que eu não posso
controlar. Gosto de guardar pessoas na minha vida e mesmo que deixem de
fazer parte do meu quotidiano, preciso de tudo explicado. Preciso de
perceber tudo, preciso de deixar um ambiente saudável e guardar as
coisas bonitas... Outro defeito. Tenho noção que sou a personificação de
intensidade, que prende e afasta na mesma medida, tenho noção de que as
minhas palavras são, muitas vezes um choque, precisamente pela
intensidade que lhes dou. Tenho noção de que toda eu sou uma bagunça
embutida num corpo, mas não há nada que me incomode mais do que vazios,
de quando não sobra nada...
segunda-feira, 29 de março de 2021
Ela não tinha perdido o Amor. Ele é que se tinha perdido dela.
Um
dia, enquanto passeavam, o Amor distraiu-se com algo, largou-lhe a mão
e, quando volveu o olhar, ela tinha desaparecido. Como um louco,
deambulou pelas ruas, tentando desesperadamente encontrá-la em cada voz,
em cada olhar, em cada boca. Em vão. As palavras que ouvia não eram as
dela, o desejo e os sonhos, que lia nos olhos que encontrava, não eram
os dela e os lábios que beijava não tinham o sabor dos dela. Ela não
estava em lado nenhum. Ela não estava em ninguém.
Ela sabia que
ele não encontraria, sozinho, o caminho de volta. Era frágil ainda para
grandes façanhas e desnorteava-se com muita facilidade. Precisava que o
guiassem, que lhe dessem força e coragem.
Por isso, todos os
dias, ela saía de casa, embrenhava-se na multidão e procurava-o. Estava
certa de que o encontraria. Bastar-lhe-ia escutar com muita atenção
todos os corações. Tinham-lhe contado que os que batem mais forte são os
que albergam o Amor. E ela acreditou.
sexta-feira, 19 de março de 2021
Porque a vida também se pontua...
As
reticências... uso e abuso delas. É a forma que arranjo para não dar o
meu pensamento por terminado, para dar a entender que tenho mais para
dizer... Como quando não fechamos a porta, mas apenas a encostamos para
que seja mais fácil alguém entrar, sem precisar de bater... Lido mal com
os pontos finais. São castradores. Não me deixam espaço, impõem-me
limites, cortam-me as asas.
A minha vida deveria ser como a minha
escrita, cheia de reticências... Não das que denunciam dúvidas,
hesitações, mas daquelas que traçam avenidas que se enchem de gente,
onde ecoam risos e se oferecem abraços a troco de nada...
A
ironia é que sou uma mulher que distribui pontos finais. E se uns são
merecidos, outros nem por isso. Preciso de aprender a dar o benefício da
dúvida, a conceder oportunidades, a deixar de ter medo. Medo de que
gostem de mim.
quinta-feira, 11 de março de 2021
Coisas minhas...
Muita
gente não [me] entende. E rotulam-me: "é um bicho do mato". Mas eu sou
assim: preciso, muitas vezes, de silêncio e de estar só. E não o escondo
de ninguém, não finjo ser companhia, não "faço sala". Seria uma péssima
relações públicas, admito. Forçar sorrisos e fazer de conta que sigo
conversas ocas só por que sim é algo que dispenso de bom grado. Passo,
então, a ser "a esquisita", "a nariz empinado", "a gaja que tem a puta
da mania", só porque não escancaro a minha vida na primeira conversa e
não promovo à categoria de amigo gente que acabei de conhecer. [Que
parvoíce, não é?]
Muita gente não entende que, para mim, viver não tem de ser sempre um arraial, com foguetes e tambores.
Muita
gente não entende que eu apenas reclamo o direito ao meu espaço, ao meu
tempo, à minha pessoa. E, sendo esse direito meu, exerço-o quando e
sempre que eu quiser. Eu apenas me apodero da minha própria existência.
É assim tão difícil de entender?






