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quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Parem de romantizar...


 Se parássemos de romantizar e de inventar versões de como gostaríamos que fossem as pessoas, pouparíamos grande parte das desilusões.
É preciso deixar de procurar justificações para comportamentos que não são justificáveis.
É absolutamente necessário, não alimentar vazios.
Se, de cada vez, que sentirmos a falta ou até saudade de alguém, nos lembrarmos de como a pessoa nos fez sentir a dado momento ou onde ela estava quando precisamos, talvez conseguíssemos tirá-la definitivamente das nossas vidas.
Há pessoas que não são para nós.
Há coisas que não são para acontecer.
Porque, na verdade, tudo o que sentimos falta é de tudo o que a pessoa não foi, tudo o que a pessoa não foi capaz de fazer.
E, se de cada vez, que a mão tremer e o coração apertar com vontade de mandar aquela mensagem, nos lembrarmos de quantas vezes sorrimos na presença dessa pessoa e de quantas vezes ficamos tristes, ficaríamos quietos.
Alguém que te faz sentir coisas menos bonitas, que te deixa frustrada, que não dá a menor importância ao que tu sentes, que não te ouve...
É isso que determina quem é ela é...
E não quem gostarias que ela fosse. Gasta o teu tempo com alguém real que, genuinamente, te aprecia.
Gasta a tua energia com alguém que não tenha medo de ser vulnerável.
Não inventes versões irreais de gente que só existe na tua cabeça.
Vai poupar-te as dores e os desamores.

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

E se o amor aparecer...


 

E se for para acontecer, não quero nada de tudo aquilo o que já foi escrito. 
Pelo contrário, quero tudo aquilo que, de tão bom que é, as palavras não bastem. Quero a intensidade daqueles amores breves de Verão, mas capazes de durar a vida inteira. 
Quero alguém que me desperte a mente e me desafie todos os dias. 
Que (me) veja para lá do óbvio e que me tire os pés do chão. 
Dispenso as rotinas e as coisas sempre programadas. 
Gosto da imprevisibilidade de alguém que chega só para te fazer sentir.
Quero entregar o meu coração a alguém que não tenha medo, que tenha consciência do quão fugaz é a vida e a queira de facto viver. 
Sem pensar muito. 
Sentir. 
Ir. 
Fazer acontecer.
Não quero quem me diga as mesmas coisas dia após dia e que me leve aos mesmos lugares de sempre com as pessoas de sempre. 
Quero tudo ao contrário. 
Novidade em cada dia como se tudo cheirasse a primeira vez. 
Quero sentir o friozinho no estômago quando sei que está para chegar e quero sentir o aperto no peito, quando for a hora de ir. 
De que serve o sentir sem esses extremos opostos?
Quero alguém que me faça ser tudo aquilo que sou e mais aquilo que quero ser e que, no final, sorria agradecido pela sorte que lhe calhou. 
Quero a lotaria do amor. 
Aquela que sai uma vez na vida e te faz ter um encontro de almas.
Quero alguém que tenha a alma colorida e que pinte a vida com essas cores... Alguém que (me) descubra nas coisas que eu não digo e que me faça ser capaz de acreditar em tudo. 
Quero um amor de Shakespeare com os poemas de Fernando Pessoa.


segunda-feira, 25 de julho de 2022

Desculpa meu amor;


 

Desculpa por todas as vezes que fingi não te ouvir.
 Desculpa por todas as vezes em que me coloquei em situações que, sabia de antemão, que te magoariam.
 Desculpa não te ter tratado como merecias e desculpa ter-te levado ao ponto de ruptura.
 Desculpa ter-te levado para todo o lado e no final ter-me esquecido de te trazer de volta.
 Desculpa-me.
 Desculpa-me ter, tantas vezes, feito dos outros prioridade quando tu me necessitavas mais do que todos.
Desculpa ter ignorado quando me dizias que o cansaço era muito e desculpa ter arranjado desculpas para tudo o que me fazias sentir.
Desculpa ter-te feito sentir que não eras suficiente.
Sabes, tantas vezes o ouvimos ao longo da vida que, às páginas tantas, começas a acreditar nisso.
Desculpa ter-te confundido quando me deste sinais claros.
E desculpa ter feito de ti um acessório para não me deixar morrer. Desculpa todos os gritos que te silenciei e desculpa ter calado todas as tuas vontades.
O medo é fodido, sabes?
Desculpa por todas as vezes em que te quis pedir desculpa e continuei a perpetuar comportamentos por facilidade, por não querer ver.
Mil vezes desculpa...
Porque, no final do dia, és o único a quem devo satisfações e o único que fica, mesmo depois de te tratar mal.
 

 

Nota mental: para o meu coração. O único que me mantém viva e que, tantas vezes, quase matei .


quarta-feira, 29 de junho de 2022

Há um amor...


 

Há um amor que me falta nas paredes cheias de um coração roto. 
Há uma saudade que não se explica nos lugares vazios.
No mundo ideal, nas utopias imaginadas com tudo aquilo que gostaríamos de ter, imagino experimentar o outro lado...
O do amor recíproco. 
Sem mas. 
Sem porquês. 
Só sentir e fazer sentir. 
Imagino perder-me nos pormenores e nas pequenas coisas do dia a dia que, são ainda as poucas capazes de revelar um coração. 
Imagino aquele desejo carnal aliado ao sentimento tão bonito de querer guardar a pessoa para sempre. 
Imagino o que é ter alguém que te dê tudo aquilo na medida do que tu dás. 
E não, não preciso disso para me sentir completa, mas gostava. 
Não quero morrer sem isso. 
E no fundo, é isso que praticamente todos buscamos, embora poucos o admitam.
No mundo real, onde já ninguém se preocupa com ninguém, onde as pessoas batem com a porta com a mesma facilidade com que a abriram, só quero viver. Mas com verdade. 
Com total transparência. 
Cartas em cima da mesa e jogo limpo. 
Quero ter a certeza do que posso e não posso dar e do que é para ser em vez de ter que adivinhar. 
É pedir assim tanto?
 

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Cansei-me!!!


 

Não vou pedir licença para existir e não vou pedir desculpa por ser quem sou. 
Não vou deixar de acreditar em tudo o que acredito e não me desvio um só milímetro para agradar seja a quem for.
Já não me preocupo com o perder pessoas. 
Na maioria das vezes, perdemo-nos a nós para não perdermos alguém e no fim acabamos a perder na mesma. 
Já não quero saber. 
A prioridade sou eu. 
Egoísmo ou amor próprio?
 Talvez um pouco de ambos. 
Talvez a consciência de que no final poucos são os que ficam, poucos são aqueles que realmente se preocupam em saber quem tu és. 
A verdade é que ninguém se importa com ninguém. 
As pessoas vêm o que querem ver, da forma que querem ver. 
Ninguém se vai colocar no teu lugar e ninguém te vai perguntar se estás bem ou o que estás a sentir, por isso não percas tempo a tentar provar contrário. 
A ideia que formaram sobre ti é aquela que vão manter. 
Por preguiça. 
Por conveniência. 
Até por maldade. 
Segue em frente. 
Senta e assiste. 
Quem tu és não depende da opinião alheia... 
E no final das contas, a vida encarrega-se sempre de colocar as coisas no sítio certo. Até lá... Respira, respeita -te e ignora.

terça-feira, 17 de maio de 2022

Nunca escrevi sobre ti.


 

Escrevi para mim. 

Por mim. 

Para me obrigar a lembrar de onde vim e para onde não voltar. 

Para não me desviar de quem eu quero ser. 

Escrevo porque as palavras se eternizam quando tudo o resto desaparece. 

Escrevo para me entender, para me ouvir também. 

Escrevo quando, nem sempre, me apetece falar.

Escrevo se estiver feliz ou triste, não interessa. 

Escrevo sobre os meus tudos e sobre os meus nadas. 

Escrevo essencialmente para me manter sã, para me sentir viva. 

Escrevo para ser ouvida, escrevo para que me vejam, quando todas as palavras em viva voz se gastaram. 

Escrever, nunca foi sobre ti ou sobre os outros. 

É e será sempre sobre mim e para mim. 

É um acto claramente egoísta que faço por necessidade. 

É a única coisa que faço genuinamente com o coração pousado em mim, independentemente de todas as palavras que possam passar nos meus pensamentos, independentemente de ser o certo ou o errado... 

É meu. 

É o que me vai no peito. 

É, muitas vezes, a única forma plausível de me libertar. 

É escrevendo que me encontro.

 E é quando escrevo que, encontro gente como eu... 

Que me sinto menos extraterrestre. 

E, embora possa ter uma vida cheia de situações e de intervenientes, escrever será sempre sobre mim... 

E para mim.


sexta-feira, 29 de abril de 2022

Passado que teima em ser presente...


 

Houve um tempo em que te escrevia coisas bonitas, mas não sei se alguma vez me chegaste a ler. 
Escrevia para me libertar, para me fazer ouvir ou simplesmente por não ter com quem falar sobre isso. 
Escrevia-te coisas bonitas, tantas vezes, que passei a acreditar nelas também. Era assim que te via, tal e qual como te escrevia... 
Pleno de tudo e com tudo aquilo que eu achava que precisava. 
E romantizei tudo o que nós éramos, sem perceber o que éramos realmente. Talvez, dois emocionados, com o coração a transbordar de sentimento, mas com a cabeça formatada para não fazer acontecer, com tudo o que isso inclui, nunca nos soubemos ajustar à medida do outro. 
A tua chegada à minha vida deixou tudo do avesso e a tua presença era forte, mas nunca me senti segura. 
Não sabia como lidar com isso. 
Demasiadas mentiras e omissões. 
Demasiados jogos mentais. 
Tudo era demasiado. 
E faltou um pedido de desculpas, que teria sido determinante para todo o desenrolar da história. 
Nunca houve. 
Quando chegou era tarde demais.
E procuraste-me, tantas vezes que lhe perdi a conta e jurava a mim mesma que acabaria por te perder o rasto... 
Mas arranjas sempre uma forma de me encontrar e de te fazer presente.
No entanto, tu és a personificação de como o sentimento só não chega... 
De como temos que nos fazer prioridade em detrimento do outro. 
Tu és a história, cheia de coisas bonitas também, que eu guardo, para me lembrar de tudo aquilo que não quero repetir. 
E sei que fui intransigente e implacável contigo. 
Não fui capaz de te dar uma segunda oportunidade, mas não me arrependo. 
Com os (d)anos há coisas que só nos permitimos passar uma vez e é um facto de que toda a gente erra, mas a diferença está na intenção e no que fazes a seguir com isso. 
Sempre que penso em ti, sei que tomei a decisão certa.