quinta-feira, 26 de julho de 2018

Fim anunciado...




Quando as letras perderem o som

E as sílabas teimarem em não se juntar.

Quando as palavras perderem espontaneidade

E as frases a argumentação.

Quando as conversas morrerem na garganta

 E o silêncio imperar.

Quando as lágrimas secarem

E o peito já não doer.

Sabemos então que o ciclo chegou ao fim...

... o momento é de fechar portas, calafetar janelas e seguir em frente.


**até um dia...**

sexta-feira, 20 de julho de 2018

A vida é feita de novos lugares


... Porque há sempre alguém que não nos levou a lugar algum.
Um dia alguém me disse... "Quero te levar onde nunca fui com nenhuma" acreditem que foi uma frase estranha... Uma frase que coloca todas as dúvidas... Do tipo, mas tu levas todas a passear? Calei... esperei que o tempo respondesse onde me levaria a viajar. 
E realmente eu fui, só para ver onde me iria levar.
Fui possivelmente a lugares onde já devia ter levado alguma...
Sabem? Não fiz viagem nenhuma. A maior viagem que se pode fazer é ao interior de alguém, para descobrir e contemplar cada lugar... esperava que ele viesse com calma, ouvir o coração e a voz da alma... que viesse despertar os sonhos em viagens que não se compram.
Mas não... Não houve uma entrada de olhares era apenas a paisagem da pele que o cegava.
Levar-me a passear é algo que poucos conseguem. Alguém assim é fácil de deixar. É fácil de esquecer... Porque na verdade nunca viajou comigo no meu mundo nem me aprendeu a ler, talvez tenha aprendido a escrever.
Espero só que um dia consiga viajar dentro de si mesmo, e que se encontre. Porque com ele eu errei no caminho... que deixou a minha vida adormecer.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

E no entretanto?





No entretanto, vão-se passando os dias. Buscam-se alegrias nas coisas mais insignificantes. Procuram-se sorrisos e escondem-se tristezas. Ocupa-se o tempo e a mente. Trocam-se as voltas aos dias e o sentido às noites. Vive-se em (des)compasso de espera. Vive-se nas horas mortas e sobrevive-se no dia-a-dia. Enganamo-nos a nós e ludibriamos o mundo.
No entretanto? 
No entretanto, inventa-se uma vida. No entretanto, constrói-se uma história. No entretanto, ganham-se memórias. No entretanto, respiramos fundo, levantamos a cabeça e olhamos o mundo de frente. Olhos nos olhos. No entretanto, pensamos, analisamos, concluímos. No entretanto, cheiramos, ouvimos, saboreamos. Crescemos.
E no entretanto? 
Vive-se...

sexta-feira, 22 de junho de 2018

E assim andamos...




Os nossos limites aproximam-se. 
Miram-se à distância. 
Os meus limites brincam com os teus. 
Os teus metem-se com os meus. 
Fazem uma espécie de dança consentida, num vai-não-vai constante. Os nossos limites vêem-se de perto. 
Conversam até uns com os outros. 
Sorriem ao longe e brincam ao perto. 
Permanecem num jogo consentido que a ambos agrada. Os nossos limites andam perto: perigosamente perto. 
Mas não se tocam...

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Hoje não estou cá




Fui ali sozinha acompanhada de mim. Ausentei-me comigo e sentei-me num canto sossegada. Onde as palavras não apetecem e o silêncio ecoa. Onde a luz se apaga e o escuro se impõe. Hoje não estou cá. Deixei-me aqui e fui lá. Sozinha sem o meu eu. Acompanhada da escuridão e da ausência. 
Da saudade e da impotência. Hoje...
Amanhã eu volto. Ou deixo-me lá.