São dezenas de telefonemas que recebe por dia.
São
tantos assuntos aos quais ele tem que manter aquela postura implacável, outros
tantos mais simpáticos mas não menos profissionais, mas depois tem aquele que
lhe muda a voz.
Não é só o jeito dele, não é só o "então como estás?"
cheio de ternura, é sobretudo a voz.
A voz que muda, o tom que só ela tem
direito.
E ponho-me a pensar que o amor também é isso, deve ser isso, não
apenas ser mas também ter a excepção.
Talvez aquilo já lhe seja intrínseco, o
que ainda torna tudo mais bonito.
Não sei, nem sei tão pouco o que falam, só
sei que a voz muda e isso dá-me esperança.