Pára
de procurar o corpo da mulher para te vangloriares de o teres tido no
teu leito. Pára de procurar a mulher como se de um pedaço de carne se
tratasse. Pára de te exibir na roda de amigos de já teres estado com
fulana e beltrana. O que tu fazes qualquer um sabe fazer.
Quero ver é
tu seres capaz de lhe devolver o sorriso, seres capaz de a abraçar no
meio do caos e alimentar-lhe os sonhos. Quero ver é a tua capacidade de
amar as estrias dela e aceitar as suas rugas. Quero ver a tua capacidade
de matar os demónios que ainda convivem dentro dela e fazê-la
transformar isso na força, que ela ainda nem sabe que tem.
Diz-me
quantos homens são capazes de amar a mulher e não apenas o corpo.
Quantos conseguem trazer sensações jamais experimentadas? Quantos
conseguem estimular o cérebro tanto quanto fazem com o corpo?
O
verdadeiro significado da palavra homem define-se nas suas atitudes. Não
importa se tens uns quilos a mais ou celulite, não importa se o teu
cabelo hoje não está alinhado na perfeição e também não importa se
tiveste um dia mau. Um homem, no verdadeiro sentido da palavra, vai
amar-te da mesma forma, vai sentir-se grato por te ter na sua vida e não
apenas na sua cama. O verdadeiro homem, vai tocar-te com palavras e não
sairá de perto. O verdadeiro homem vai estar contigo para o que der e
vier, porque foi capaz de fazer-te abrir o coração e não apenas as
pernas
sexta-feira, 29 de janeiro de 2021
Pára lá com isso...
sexta-feira, 22 de janeiro de 2021
Solidão...
O que dói na solidão
é a escova de dentes
e o tabuleiro sobre a mesa de jantar.
É a lata de atum e o ovo mal estrelado,
são os treze minutos que o arroz leva a cozer
e a fatia de pão de forma a queimar na torradeira.
O que dói na solidão
são as lâmpadas fundidas e
as janelas lacradas,
é o barulho da porta da rua
no rés-do-chão do edifício
e o toque estridente
do telefone que nunca vamos atender.
O que dói na solidão do quarto
é a roupa a ganhar raízes pelo chão
é a torre de poetas
equilibrando-se na mesa de cabeceira,
é a cama que sempre esteve por fazer.
O que dói na solidão da casa
não é a solidão.
É a casa.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2021
Nada que a intuição não nos avise!
E inevitavelmente, o coração cria um elo, que tu nem fazias questão...
E todas as palavras foram ditas em vão...
E ainda assim, sentes que, ficou tanto por explicar...
sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
Quantas
vezes criámos ligações tão bonitas com alguém, para num momento
transformar tudo em descartável? É assim que se vive agora. Já ninguém
se preocupa com o outro. Já ninguém se esforça para manter o encanto que
outrora uniu. Não somos perfeitos e não é isso que se pretende... Mas
falta empatia. Falta honestidade todos os dias quando não somos capazes
de dizer o que nos inquieta, quando não somos capazes de dizer o que
queremos ou o que já não queremos mais. Falta a capacidade de nos
colocarmos no lugar do outro e de nos perguntarmos, tantas vezes quantas
forem necessárias, "e se fosse comigo?"
Apregoamos todos os dias como gostaríamos de ser tratados, mas não somos capazes de o fazer com os outros.
Há
sentimentos que nos consomem, que nos roem, que nos deixam tolhidos,
mas se formos capazes de ser, em primeira instância, honestos connosco
próprios e com os outros, grande parte das pessoas não se perderiam. E
há planos que se mudam, situações que se ajustam, mas não se devia
perder ninguém... Por preguiça, por falta de vontade de comunicar ou por
facilidade.
Que tipo de pessoas somos nós se só oferecermos lugares
vazios? Cada um de nós tem um mundo dentro de si para partilhar, para
aprender com os outros. Cada um de nós tem o poder de tornar a vida de
alguém um bocadinho mais bonita...
Há pessoas e momentos incríveis para viver dentro de cada um de nós... Não percamos isso. O amanhã pode nunca chegar.
terça-feira, 29 de dezembro de 2020
Sem título
Queria-te escrever uma carta de despedida, mas não sei despedir-me de mim.
E podem até parecer coisas diferentes, mas não são.
Cruzámos as pernas, os dedos, os sonhos.
Já não sabia onde acabava eu e começavas tu.
E é por isso que sei que os bocados meus que me faltam, hão-de estar no bolso de um casaco teu, esquecidos entre as facturas e a moeda de plástico do carrinho do supermercado.
E é por isso que há partes de mim que sei que são tuas, que foste plantando e semeando cá dentro.
É um jardim bastante deprimente que te presta homenagem, tenho tentado não passar lá tempo demais.
Queria escrever-te uma carta de despedida, mas não sei despedir-me de mim, por isso escrevi só:
Cuida de ti.
Na esperança que cuidasses de mim também, não da minha presença, mas da minha saudade.
CD
sábado, 19 de dezembro de 2020
Tenho receio...
... pelos dias que passam corridos e pelos dias que passam batidos.
Tenho medo pelos dias que não acrescentam, pelas horas vazias cheias de
coisa nenhuma, ao mesmo tempo que sinto que vinte e quatro horas não
chegam para nada.
Ou estou a fazer mil coisas ou estou numa inércia
em que tudo me parece demasiado cansativo e volátil. Tenho saudades de
algumas coisas, pessoas e situações, quando em simultâneo não sinto
falta de nada. Ao mesmo ritmo que quero ir, fazer e acontecer, quero
estar sossegada no meu canto, não ouvir a voz de ninguém, só pensar em voz
alta. Gosto dos pedacinhos de silêncio que consigo encontrar num dia
só... Que podem ser, muitas vezes, um problema para uma mente inquieta.
Nunca me fez tanto sentido perguntar "para onde vou? Quem sou e o que
faço aqui?" Sei que afasto as pessoas e nem sempre é uma escolha
intencional, mas depois da vulnerabilidade com que abres o teu livro,
vêem-te com outros olhos. Ou pelo menos eu acho isso.
E nos relatos
que deixo escapar, a mensagem é de redenção e não de auto-comiseração.
Não é o onde estou agora, mas o para onde posso ir e o que farei para lá
chegar. E na verdade, ninguém sabe o que passaste, o que tiveste de
suportar para estares onde estás hoje, mesmo que isso, para eles,
signifique pouco, para mim é motivador. Para mim é a personificação de
resiliência e os outros não têm de entender isso. Eles não estavam lá
nos Natais e nos aniversários que passei sozinha. Eles não estavam lá
quando, grande parte da vida, estive sozinha. Eles não me ligaram a
perguntar nada quando o dinheiro não me chegou para pagar as contas.
Eles não estavam lá quando me empurraram para hospitais e o problema não
era eu. Eles não estavam lá quando engoli o choro e o troquei por uma
gargalhada. Por isso, os outros são apenas isso, os outros. E eu, mais
ou menos complicada, mais ou menos difícil de lidar e entender... Fiz o
meu caminho, certo ou errado, não importa, foi o meu... E no final das
contas, reconheço o meu valor!
domingo, 13 de dezembro de 2020
Não quero ser a mais perfeita das mulheres.
Nem sequer quero andar lá
perto. Quero ser exatamente aquilo que sou. Cheia de manias, umas mais
suportáveis, outras menos. Quero continuar a soltar uns palavrões e a
rir alto. Quero, dentro das minhas imperfeições, e algumas são enormes,
continuar este caminho de não agradar a todos. Não me incomoda isso,
pelo contrário. Deve ser uma chatice quando todo o mundo gosta de nós.
Deve ser um aborrecimento viver dentro das redomas do politicamente
correto. Não sou. Não vou ser e não me esforço nem um pouco para isso. E
ao longo do caminho vou coleccionando gente que me admira pela forma
como me expresso e não me importo com o que os outros pensam... Mas vou
coleccionando também uns "ódios de estimação"... Que me divertem às
vezes. Pela falta de argumentos, pelo veneno na ponta da língua, pelo
desejo que têm de ser um bocadinho menos ovelhas, mas que não conseguem
sair desse registo. Mas admiro a capacidade que têm de perder tempo
comigo. De me apontarem o dedo, de me chamarem revolucionária... E aqui
entre nós, sou mesmo.
O que essas pessoas não sabem é que tudo em
mim é genuíno, nada fingido... O sangue na guelra, o coração junto da
boca, as emoções à flor da pele. Tudo isso é meu. Não é ensaiado, não
faz parte de uma performance teatral. Sou eu, enquanto gente. No bem e
no mal. Para dizer "gosto muito ou sai de perto de mim!". Tudo o que eu
acredito eu vou atrás, eu defendo. E se no final, os outros não
gostarem... Eu não quero saber. Porque eu não sou os outros. Não são
eles nem o que pensam que me definem. E quanto mais falam... Mais eu
gosto de mim!





