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terça-feira, 17 de maio de 2022

Nunca escrevi sobre ti.


 

Escrevi para mim. 

Por mim. 

Para me obrigar a lembrar de onde vim e para onde não voltar. 

Para não me desviar de quem eu quero ser. 

Escrevo porque as palavras se eternizam quando tudo o resto desaparece. 

Escrevo para me entender, para me ouvir também. 

Escrevo quando, nem sempre, me apetece falar.

Escrevo se estiver feliz ou triste, não interessa. 

Escrevo sobre os meus tudos e sobre os meus nadas. 

Escrevo essencialmente para me manter sã, para me sentir viva. 

Escrevo para ser ouvida, escrevo para que me vejam, quando todas as palavras em viva voz se gastaram. 

Escrever, nunca foi sobre ti ou sobre os outros. 

É e será sempre sobre mim e para mim. 

É um acto claramente egoísta que faço por necessidade. 

É a única coisa que faço genuinamente com o coração pousado em mim, independentemente de todas as palavras que possam passar nos meus pensamentos, independentemente de ser o certo ou o errado... 

É meu. 

É o que me vai no peito. 

É, muitas vezes, a única forma plausível de me libertar. 

É escrevendo que me encontro.

 E é quando escrevo que, encontro gente como eu... 

Que me sinto menos extraterrestre. 

E, embora possa ter uma vida cheia de situações e de intervenientes, escrever será sempre sobre mim... 

E para mim.


sexta-feira, 29 de abril de 2022

Passado que teima em ser presente...


 

Houve um tempo em que te escrevia coisas bonitas, mas não sei se alguma vez me chegaste a ler. 
Escrevia para me libertar, para me fazer ouvir ou simplesmente por não ter com quem falar sobre isso. 
Escrevia-te coisas bonitas, tantas vezes, que passei a acreditar nelas também. Era assim que te via, tal e qual como te escrevia... 
Pleno de tudo e com tudo aquilo que eu achava que precisava. 
E romantizei tudo o que nós éramos, sem perceber o que éramos realmente. Talvez, dois emocionados, com o coração a transbordar de sentimento, mas com a cabeça formatada para não fazer acontecer, com tudo o que isso inclui, nunca nos soubemos ajustar à medida do outro. 
A tua chegada à minha vida deixou tudo do avesso e a tua presença era forte, mas nunca me senti segura. 
Não sabia como lidar com isso. 
Demasiadas mentiras e omissões. 
Demasiados jogos mentais. 
Tudo era demasiado. 
E faltou um pedido de desculpas, que teria sido determinante para todo o desenrolar da história. 
Nunca houve. 
Quando chegou era tarde demais.
E procuraste-me, tantas vezes que lhe perdi a conta e jurava a mim mesma que acabaria por te perder o rasto... 
Mas arranjas sempre uma forma de me encontrar e de te fazer presente.
No entanto, tu és a personificação de como o sentimento só não chega... 
De como temos que nos fazer prioridade em detrimento do outro. 
Tu és a história, cheia de coisas bonitas também, que eu guardo, para me lembrar de tudo aquilo que não quero repetir. 
E sei que fui intransigente e implacável contigo. 
Não fui capaz de te dar uma segunda oportunidade, mas não me arrependo. 
Com os (d)anos há coisas que só nos permitimos passar uma vez e é um facto de que toda a gente erra, mas a diferença está na intenção e no que fazes a seguir com isso. 
Sempre que penso em ti, sei que tomei a decisão certa.

segunda-feira, 7 de março de 2022

Os devaneios continuam...



Os meus amigos nunca te verão sentado na mesma mesa, nem saberão que foste tu que me trouxe paz no meio do caos. Os meus familiares nunca saberão o teu nome. E há lugares que nunca terão a sorte de nos ver juntos. E aquela série que deixei a meio para um dia te recomendar, já me não me apetece terminar de ver, porque o final deve ser triste e triste já eu estou. E a minha caixa de mensagens, cheia de mensagens nossas, acabará perdida no fundo de todos os contactos. E sei que quando a saudade me apertar, voltarei lá para te sentir mais perto de mim. E o teu número não gravado no telefone… acredita, nunca lhe daria uso, para não te incomodar, ficaria apenas ali como lembrança de que um dia estiveste aqui. E, tu não sabes, mas a minha almofada tem o teu perfume, aquele que nunca senti e, talvez por isso, todos os meus sonhos acordados, cheirem a ti.

Não sei se o tempo foi errado ou nós não soubemos ser certos, mas sei que o meu melhor não foi suficientemente bom para ti. E quis tanto que tivesse sido... E demorei tanto para saber quem eras tu... Mestre das fugas e dos subterfúgios para que não te visse. Mas eu vi. Vi-te por dentro, de todas as vezes, em cada palavra, em cada muro que ergueste... Vi-te com o coração, porque com os olhos toda a gente vê.
E sabes, talvez isto tenha sido apenas um ensaio... Ou talvez não, mas sei que havemos de nos encontrar... Nem que seja nas memórias um do outro. Nem que seja para nos despedirmos num abraço e nos olharmos uma última (primeira) vez.

 


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

DEVANEIOS DE UM MENTE INQUIETA...

 


ELE TOCARA-LHE NA ALMA SEM NUNCA LHE TER ENCOSTADO UM DEDO...

ELA SENTIA A FALTA DELE.

VIVIAM NUM LIMBO ENTRE SEREM TUDO E NADA.

DIVIDIAM-SE ENTRE O PARTIR E O FICAR...

E TODOS OS DIAS ROÇAVAM A DESPEDIDA.

E TODOS OS DIAS PARECIAM ETERNOS...

ATÉ AO DIA EM QUE A VIDA  SE ENCARREGAR DE OS COLOCAR NOS SEUS DEVIDOS LUGARES.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Deixei-te ir...


E desde que fui soltando a mão, os pensamentos foram ficando mais leves e espaçados. O tempo deixou de ser só teu e para ti e já quase nada te envolvia. Deixei de me perguntar por ti. Sabia onde estavas e, pela primeira vez, em muito tempo, não quis estar lá contigo. Já não me perguntava se tinhas saudades e, mesmo que (não) tivesses, não me faria a menor diferença. 
Porque eu... 
Eu tive, tantas, tantas vezes, e tive que educar o pensamento a esquecer -se de ti, para que o coração o pudesse fazer naturalmente. E o tempo fez-se distante, ao mesmo tempo que os dias fluíam ligeiros por já nada esperar de ti. 
E troquei o pensar -te na almofada à noite, pela paz de já nada querer.
E, foi tão bonito quanto honesto. 
Foi tão intenso quanto frustrante. 
Foi tão ardente quanto gelado. 
E, fui tão feliz e tão triste. 
Mas vivi. 
E sobretudo senti. 
E... Que estejas sempre bem. 


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Imprevistos... ou não.


 O que torna as coisas mais bonitas quando gostamos de alguém é a imprevisibilidade dos factos. O inesperado. O não escolher de quem se gosta e se sequer se vai gostar. E, muitas vezes, quando damos por nós, já estamos ali, a fazer planos e listas de compras, onde o outro está sempre incluído. Não raras vezes somos assolados pelo sentimento como uma avalancha que nos tira o fôlego e, percebemos ali que estamos, irremediavelmente ,fodidos. Outras vezes, é um sentimento que entra devagar, sem pedir licença e que deixamos a marinar até que as mãos suem na presença e o peito acelere nas ausências. E vamos encontrando formas de o negar, seja em palavras ou em acções, ao mesmo tempo que fazemos dele primeiro pensamento da manhã e o último do dia. E cerramos os olhos para não ver, ao mesmo tempo que carimbamos na memória os momentos, os lugares e aquela pessoa onde queremos voltar em cada piscar. E vamos arrumando todos os cantinhos do coração, da vida e da alma para dar espaço a outro alguém. Sonhamos com a casa de cerca branca, com o cachorro no jardim e com aquela dança na sala à média luz enquanto o vinho repousa na mesa de jantar. Fazemos juntos contas de cabeça e organizamos a próxima viagem, enquanto o filme passa sozinho no ecrã (provavelmente, a rir-se de tamanha ingenuidade), e prometemos um ao outro que só faz sentido enquanto sentirmos.

Depois, vem a vida com um choque de realidade: 
"filha, fecha o livro e vai trabalhar!"

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Hoje escrevo sobre nós...


 

 ... para que não morramos. Porque tudo se acaba a menos que perdure escrito. Podemos até não voltar a falar, mas voltarei às palavras que te escrevi quando as saudades me apertarem. É a minha forma de te fazer eterno, de te tornar imortal... É a minha âncora nesse barco que eu sei que tem de partir. É o meu grito no teu ouvido a dizer-te que fiques. Não vás. Não vás agora que ainda temos dez mil anos de vida pela frente. Parece-te muito? Sabe-me a pouco se te contar todos os meus sonhos e planos inacabados. E, nesses sonhos, só cabem coisas simples, não te assustes. Sabes que sou de coisas pequenas que se tornam enormes mais pelo impacto que causam do que pela sua grandiosidade em si. Deixa-me ser eu contigo. Ou melhor, deixa-me ser o que de melhor posso ser contigo. Deixa-me ver para além do óbvio e encontrar-te no fundo dos teus olhos. Escrevi-te todos os dias os meus desejos secretos na esperança que um dia a lei da atracção funcione e me traga, nem que seja em parcelas, as coisas pequeninas que peço ao Universo. E depois guardei esses pedacinhos de papel como se fossem tesouros. E são, não são?
Guardei tudo numa caixa que só abro à noite quando me foge o sono. Guardei-te para que eu possa lá voltar sempre que te sentir a falta, sempre que o teu cheiro me falhar, guardei-te nas palavras que te escrevi a brincar e nas que disfarcei quando tentei escrever a sério. Guardei-te em cada bocadinho para me certificar de que foi tudo verdade... E na esperança de que o sono volte e tu finalmente venhas amanhã. 

Vens?