sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Hoje o mundo ficou mais pobre... pelo menos para mim.



Há imenso tempo que não o ouvia, talvez pela melancolia das suas músicas, talvez a minha falta de tempo, talvez para não lembrar…
O facto é que ele marcou uma época importante da minha vida. Cantava todos os domingos no velho gira-discos da minha avó, naquele rés-do-chão virado para um jardim decadente na periferia de Paris. Lembro-me da velha janela castanha desgastada pelo tempo, que se abria ao fim da tarde para deixar entrar luz em casa e até consigo vislumbrar a minha avó encostada ao parapeito a vigiar as minhas brincadeiras na rua, enquanto sonhava ao som das músicas dele.
Ficou marcado como uma tatuagem a primeira vez que o vi, num réveillon no Moulin Rouge, das poucas vezes que me foi dada alforria em Paris. Lembro-me de ter ficado de boca aberta durante mais de uma hora enquanto ele cantou… lembro-me de ter deitado umas quantas lágrimas…lembro-me de ter sido alvo das brincadeiras dos meus amigos por gostar dele… um velho romântico… quando a idade nos injectava rebeldia, lembro-me de ter pensado que não podia esquecer de contar à minha avó que o tinha visto, ali… pertinho de mim, depois lembrei-me que não podia… a minha avó já não o ouvia aos domingos à tarde sentada à janela do velho rés-do-chão…
Depois esqueci… a responsabilidade da vida adulta não me deixou tempo para o voltar a ouvir com atenção. Escutava-o de tempos em tempos no rádio, mas nada se comparava à magia do velho gira- discos da minha avó.
Hoje acordei com a notícia da sua morte. 
E voltei a chorar ao som de....


1 comentário:

  1. Deixa uma imensa pena, e a todos um pouco mais pobres.
    Um bom fim de semana

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