sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Podia escrever aqui mil coisas



 Podia até arranjar as palavras mais bonitas do dicionário para as vestir com a melhor roupagem. Para que elas trajassem bem. Para que impressionassem. Podia até dar ênfase ao verbo. Fazê-lo reinar. Ser Rei.
Podia escrever, aqui, mil coisas.
Mas sempre me disseram que o melhor da vida não se diz, não se escreve, não se conta. Sempre me disseram que o melhor da vida vive-se. Fora das câmaras, fora dos holofotes, das luzes da ribalta. Sempre me disseram que o melhor da vida se vive offline, num qualquer recanto onde se eternizam momentos, onde se criam instantes, onde se constroem memórias.
Sempre me disseram que o que conta não são as palavras.
Sempre me disseram que o que fica são os sorrisos, é o toque que adivinha a textura duma pele, é um beijo que reconhece uns lábios, são os silêncios que dispensam as palavras.
Podia escrever, aqui, mil coisas.
Mas sempre me disseram que o melhor da vida se deve guardar para nós.
Sempre me disseram que o melhor da vida não vem nos livros.
Que não se conta. Vive-se.

Fui viver.
Queres viver isto comigo?

3 comentários:

  1. Gostei da imposição
    E lí o que tu querias
    Achei as tuas manias
    Diversas como outras são.

    Sei que minha opinião
    Se eu postasse não lerias
    Entre palavras e orgias
    Do meu pensar, digo não!

    Não direi apenas penso
    Ser eu um mero pretenso
    Versejador em viagem

    De vocábulo suspento
    De verve ou de nervo tenso
    Pensando em Lírio Selvagem...

    Grande abraço. Laerte.

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  2. Conte na mesma. Não precisa contar ponto por ponto o que viveu, mas conte o que lhe apetecer.
    E a contar, exagere que assim como assim ganha o mesmo e põe as pessoas a roerem-se de inveja.

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  3. Me conte tudo...
    Encoste teus lábios nos meus ouvidos
    Que te empresto todos os meus sentidos.
    Me conte de tua lua cheia,
    Dos teus quartos minguantes e crescentes.

    Me fale tudo...
    Tuas angústias, tuas histórias,
    Conte-me teu sonho mais íntimo.
    Teus anseios e receios, a tua dor escondida,
    A que trazes naquela camada mais interna de tua vida.

    Me conte tudo...
    Se preciso, fico mudo e atento,
    Escuto, quem a sabe a voz de teu lamento
    Ou de tua dor.

    Me diga o que precisas dizer,
    E faça contigo o que precisas fazer...
    Mas me fale,
    Me inclua em teus cantinhos da alma,
    E me coloque em tuas mãos, em tua palma,
    Me deixe ser parte de teus sonhos,
    Me deixe, essencialmente, dentro de você.

    Poema antigo de um blog antigo chamado Integral de Mim.
    Marco - PDR!
    Bisous amie jolie!

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