segunda-feira, 16 de abril de 2018

O cenário era sempre o mesmo...

 
Quatro paredes, o escuro e a arritmia do silêncio... 
E lá estava ela, a fugir uma vez mais dos pensamentos. 
E lá estava ela, a ouvir a velocidade do tempo.
O sono era a companhia que não tinha, fechava os olhos e não dormia.
Ela era ela, como tantas outras num cenário só... onde o só ela adormecia, num sono que não vinha. Ela sabia, e só ela sabia, porque dos pensamentos fugia, porque chegava o dia e ela pela noite não dormia.
Levantava... Sentava... Sentia... Deitava... Esquecia... Fingia.
Era um ciclo vicioso... Há quem chame insónias aos pesadelos sem sono. O silêncio, o tempo, o escuro, sobretudo o da vida.
Os pensamentos que lhe fervilhavam na mente, ela não os queria, mas a madrugada tropeçava num ontem que sentia.
A única voz era a dela... A voz dela quente, com alma dela fria.
Esperava o sol para acordar o dia.
Colocou dentro dela a música e o céu... ouviu baixinho o silêncio que a noite ouvia. O olhar estagnado no nada o mesmo que de dia sorria.
Eram assim as batalhas nocturnas... quando as insónias de frente lhe batiam
.




Carla Tavares

5 comentários:

  1. um dia virá o sol, que te guiará noite dentro e te aplaque os oníricos, te abraçando e envolvendo na noite, só acordando com o raiar dele nascente...

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