terça-feira, 2 de junho de 2015

Os homens também choram, e se não o fazem é porque são insensíveis, chorar para dentro não existe, isso é só uma maneira de esconder a insensibilidade!

Não fui eu que disse, foi uma das minhas professoras de francês, um dia… enquanto debatíamos sobre um poema.
Eu sei que a frase é polémica, muito haveria a dizer sobre o tema, 
(até nem concordo, porque cada pessoa tem a sua  maneira, muito própria para lidar com o sofrimento) 
Mas lembrei-me dela ontem ao fim do dia, num parque de estacionamento de um centro comercial, enquanto presenciava uma cena surreal, o que de inicio me parecia ser uma simples birra, tornou-se em algo muito mais sério, uma criança de mais ou menos 5 anos chorava agarrada ao pescoço do pai, era um choro tão intenso e desesperado que me comoveu.
Quando passei por eles, reparei que uma senhora estava encostada a um carro de braços cruzados e insistia com voz autoritária, G……… VAMOS EMBORA, JÁ CHEGA, DÁ UM BEIJO AO PAI E ENTRA NO CARRO…
A criança desesperada gritava, “Não me deixes papá, quero ir contigo…” 
E as lágrimas escorriam em cascata também pela face do pai… 
Aquele homem estava sofrendo, não havia qualquer duvida.
Entrei no meu carro em estado de choque, como é possível que duas pessoas que já se amaram, que geraram um filho em conjunto, escolham um parque de estacionamento, para entregarem o filho ao outro progenitor, como se de uma mercadoria se tratasse.

No mínimo lastimável…



Olhando para aquele pai que chorava, lembrei-me do meu…
Nunca tinha visto o meu pai chorar, nem quando a mãe dele morreu…
Até ao dia que fui fazer uma visita de estudo de 4 dias à Normandie, tinha na altura 14 anos, na manhã que em me despedi dele, senti a sua face molhada, olhei-o, e as lágrimas caíam, fiquei preocupada… 
O meu pai a chorar? Será que estava doente?...
-Que tens pai?
- Nada princesa, só hoje me apercebi que já não és a minha menina, cresceste, e acabaste de cortar o cordão umbilical…
Lembro-me de lhe ter dado um abraço forte, e disse-lhe ao ouvido: 
“Serei sempre a tua menina, prometo”
Nunca mais o vi chorar… até à véspera da sua morte, quando lhe agarrei nas mãos e lhe disse: 
Sou eu pai, a tua menina, e ele… entre o delírio e a realidade, soltou as últimas lágrimas… 
Depois… secaram para sempre!

5 comentários:

  1. Pronto! Agora sou eu que estou práqui a tentar conter a cascata!!!!!
    Também me corta o coração ver as crianças no olho do furacão dos casais separados... sofrem tanto, meu Deus...

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  2. Comecei por ler o post a pensar em qualquer coisa parva para comentar, do género macho man...
    ...mas não há nada de mais sincero e verdadeiro do que lágrimas de um Pai.
    Um beijo!

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  3. Que belo texto que me emocionou....que me correu lágrimas...
    Um belo texto, uma bela crônica (crónica como dizem vocês!!).... uma lição de vida, que poderia ser publicada numa revista ou num jornal...
    Excelente texto Lírio!!!!

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